Polícia
MP denuncia empresa e sócios por morte de dezenas de cavalos em Atalaia
Segundo o órgão, o Haras Nova Alcatéia, local onde os equinos eram cuidados, sofreram prejuízo de R$ 82,57 milhões
O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) denunciou uma empresa de ração e seus sócios pela suposta morte de 80 cavalos da raça Mangalarga Marchador, em Atalaia, município do interior de Alagoas. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (17).
De acordo com o órgão, a empresa Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A., seu sócio majoritário e o administrador operacional e financeiro, responsáveis pelo fornecimento das rações NutriMax e Forragem Horse, teriam agido com irresponsabilidade e negligência, levando os equinos à intoxicação alimentar e, consequentemente, à morte.
Houve também um prejuízo que ultrapassa R$ 82.570.000,00 milhões para o Haras Nova Alcatéia, localizado no município alagoano, onde os equinos eram cuidados.
Ainda segundo o MP, a denúncia pede o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da pessoa jurídica e dos denunciados.
O órgão informou ainda que os administradores da empresa tinham conhecimento da contaminação e, mesmo assim, continuaram fornecendo os produtos sem a intenção de solucionar o problema.
A gerente de produção destacou, em depoimento, que foram apresentadas informações falsas em notas técnicas. A empresa começou a receber reclamações em abril de 2025.
Os 80 cavalos, considerados de elevado valor genético, apresentaram quadro grave de letargia, ataxia, marcha em círculos, cegueira, compressão cefálica e insuficiência hepática.

Elementos tóxicos
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a ração continha elementos altamente tóxicos, como a monocrotalina e o alcaloide pirrolizidínico, encontrados em plantas do gênero Crotalaria. As substâncias teriam entrado na produção da Nutratta por meio de resíduo de soja contaminado, insumo proibido para a alimentação animal.
Também foram constatados, durante a inspeção, armazenamento inadequado das matérias-primas, ausência de segregação, mistura de insumos e falta de pesagem individualizada na produção.
“As imagens provocam compadecimento: os cavalos agitados, sentindo dores, metendo a cabeça na parede, cegos, muito sangue no local. Há laudo comprovando a contaminação ocorrida em decorrência da ração oferecida pela Nutratta, o que provocou falência orgânica compatível com intoxicação alimentar. O Haras se dedica à criação genética de equinos dessa raça há mais de 50 anos, confiou na empresa e teve esse tremendo prejuízo. Os donos sofreram um tremendo baque financeiro, mas há também o emocional, presenciando o sofrimento dos bichos, e é preciso que os envolvidos nesse crime sejam responsabilizados”, destacou Ary Lages, promotor de Justiça da 2ª Promotoria de Justiça Local.
O órgão ministerial considera que a empresa e os sócios cometeram crimes ambiental e contra as relações de consumo.
Além de Alagoas, foram registradas 284 mortes de cavalos em vários estados do Brasil.
O Jornal de Alagoas tentou contato com a empresa para saber se o problema foi resolvido e se as rações continuam sendo comercializadas, mas, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
