Polícia

Do comando do Iprev à consultoria: quem são os seis alvos da PF

Investigação sobre os R$ 97 milhões aplicados no Banco Master alcança ex-dirigentes, integrantes da governança do instituto, consultoria financeira e atual secretário de Fazenda de Maceió

Por Esther Barros 11/08/2026 07h07
Do comando do Iprev à consultoria: quem são os seis alvos da PF
. - Foto: Reprodução

A operação da Polícia Federal que apura a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em letras financeiras do Banco Master colocou no centro da investigação seis pessoas que, em diferentes momentos, estavam ligadas à estrutura responsável por analisar, recomendar, autorizar ou acompanhar os investimentos.

Mais do que a identificação dos alvos, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ajuda a reconstruir os caminhos internos percorridos pelos recursos. A apuração busca esclarecer quem participou das etapas que antecederam os aportes realizados em 2023 e 2024 e se houve falhas, direcionamento ou eventual interferência externa no processo de decisão.

Ronnie Mota


Ex-diretor-presidente do Iprev, Ronnie Reyner ocupava o posto máximo da autarquia no período em que os investimentos foram realizados.

Segundo os elementos reunidos na investigação, cabia à presidência participar da etapa final de formalização das operações. Ronnie aparece como signatário das autorizações que deram respaldo aos aportes de R$ 80 milhões, em dezembro de 2023, e de R$ 17 milhões, em maio de 2024.

A posição ocupada por ele faz com que a PF examine sua atuação dentro da cadeia decisória que levou o dinheiro previdenciário ao Banco Master.

Gustavo Souza


Na época dos investimentos, Gustavo Antônio Rodrigues de Souza era coordenador-geral de Investimentos do Iprev.

Era uma função diretamente ligada à análise das alternativas disponíveis no mercado e ao encaminhamento dos processos de investimento dentro da estrutura técnica do instituto.

A investigação busca compreender como as propostas envolvendo o Banco Master chegaram às instâncias responsáveis pela decisão e qual foi a participação do então coordenador nesse percurso.

Renan Foglia Calamia


Renan Foglia Calamia representa o elo externo da investigação. Ele é dirigente da Crédito & Mercado, consultoria que prestava assessoria ao Iprev, e aparece como principal interlocutor técnico da empresa com o instituto.

A PF apura justamente qual foi a extensão dessa atuação. Entre as questões investigadas está a possibilidade de a consultoria ter participado de etapas relacionadas ao credenciamento do Banco Master, às análises e à documentação utilizada para sustentar as operações.

A empresa, por sua vez, nega ter recomendado o investimento e afirma que não emitiu parecer técnico favorável à aplicação.

Marília Alves


Marília Alexandre de Lima Alves integrava a estrutura de governança do Iprev responsável pelas decisões relacionadas aos investimentos.

Sua inclusão entre os alvos leva a investigação para dentro das instâncias colegiadas do instituto. A PF busca esclarecer sua participação nas discussões, recomendações e deliberações que envolveram as aplicações no Banco Master.

O ponto central, nesse caso, é entender como as informações técnicas chegaram à estrutura de governança e de que maneira foram consideradas antes da aprovação das operações.

Marcelo Brasileiro Santos


Marcelo Brasileiro Santos também fazia parte da estrutura responsável por avaliar os investimentos do Iprev.

Ele aparece na investigação como integrante do Comitê de Investimentos e como signatário de documento relacionado à recomendação de operações envolvendo recursos destinados ao Banco Master.

A atuação do comitê é um dos pontos analisados pela PF para reconstruir o processo decisório e verificar se os procedimentos técnicos e administrativos previstos para aplicações dessa natureza foram efetivamente observados.

João Felipe Borges


O sexto nome é o de João Felipe Alves Borges, atual secretário municipal de Fazenda de Maceió.

À época dos fatos investigados, João Felipe integrava o Conselho de Administração do Iprev, órgão responsável por estabelecer diretrizes e acompanhar a política de investimentos da previdência municipal.

Sua presença entre os investigados amplia a apuração para o nível de governança superior do instituto. A PF busca esclarecer qual foi sua participação no acompanhamento e nas decisões relacionadas à política de investimentos que permitiu a aplicação dos recursos no Banco Master.

O que une os seis nomes


Embora ocupassem funções diferentes, os seis investigados estavam distribuídos por pontos distintos da estrutura que envolvia os investimentos: presidência, área técnica, comitê de investimentos, conselho de administração e assessoria externa.

É justamente essa cadeia que a Polícia Federal tenta reconstruir. A investigação não se limita a descobrir quem assinou os documentos, mas procura entender como o Banco Master entrou no radar do Iprev, quais análises foram produzidas, quem participou das discussões e se houve alguma pressão ou vantagem indevida para que os aportes fossem aprovados.

As medidas autorizadas pelo STF incluem buscas e apreensões e bloqueio de patrimônio dos investigados dentro do limite relacionado aos R$ 97 milhões sob apuração. A inclusão dos nomes entre os alvos, porém, não significa condenação ou comprovação de crime: todos permanecem sob investigação e terão direito à defesa.

O caso coloca sob escrutínio toda a engrenagem que permitiu que recursos da previdência municipal fossem direcionados ao Banco Master, instituição que posteriormente entrou em liquidação extrajudicial. Agora, a PF tenta descobrir se o investimento foi resultado de uma decisão técnica regularmente construída ou se houve interferências e irregularidades no caminho percorrido pelo dinheiro.