Polícia

Réu compra casa em frente à de juiz responsável por seu processo e defesa fala em "coincidência"

Advogado nega intimidação e diz que Paulo Augusto de Lima Vieira não sabia onde o magistrado morava em Arapiraca; caso de tentativa de homicídio agora será analisado pelo TJ-AL

Por Redação* 31/07/2026 10h10 - Atualizado em 31/07/2026 10h10
Réu compra casa em frente à de juiz responsável por seu processo e defesa fala em 'coincidência'
Arapiraca - Foto: Assessoria

Um episódio no mínimo inusitado ganhou repercussão na Justiça de Alagoas. Paulo Augusto de Lima Vieira, acusado de participar de duas tentativas de homicídio, comprou um imóvel bem em frente à casa do juiz responsável pelo processo dele, em Arapiraca. A defesa do réu classificou o episódio como uma "infeliz coincidência".

A compra do imóvel foi mencionada em uma decisão judicial publicada no dia 22 de julho. No documento, o juiz Elielson dos Santos Pereira levantou a possibilidade de que a aquisição da casa tivesse como objetivo criar algum tipo de aproximação pessoal com ele, dado o histórico do processo em andamento.

Defesa nega qualquer intenção de contato


Ao se manifestar sobre o caso, o advogado Raimundo Palmeira negou que tenha havido qualquer tentativa de aproximação ou influência sobre o magistrado por parte do cliente.

"Tudo não passou de um lamentável mal-entendido. Ele não tinha como adivinhar sequer que o juiz morava em Arapiraca. Foi uma infeliz coincidência."

Segundo a versão apresentada pela defesa, Paulo Augusto possui interesses comerciais na cidade e pretendia usar o imóvel para que a esposa e os filhos pequenos pudessem permanecer em Arapiraca. As crianças atualmente estudam em Olho d'Água das Flores e Santana do Ipanema, mas a família já avaliava a possibilidade de transferi-las para escolas em Arapiraca no próximo ano letivo.

Réu teria deixado de frequentar o imóvel


Ainda de acordo com o advogado, Paulo Augusto chegou a passar alguns dias no imóvel junto com os filhos, mas parou de frequentar o local assim que descobriu que o juiz responsável pelo processo morava no mesmo condomínio.

"Ele não procurou nenhum contato com o magistrado. Ao saber que o juiz morava lá, imediatamente seguiu a orientação dos advogados e não pisou mais na casa. O imóvel está fechado."

Raimundo Palmeira também rebateu qualquer alegação de que o réu teria descumprido as medidas cautelares determinadas pela Justiça. Segundo ele, Paulo Augusto compareceu a todas as apresentações periódicas exigidas e possuía autorização para se ausentar de São José da Tapera, cidade onde reside oficialmente, por até oito dias sem necessidade de comunicação prévia.

"Não faltou a nenhuma apresentação. A sede dos negócios dele continua sendo São José da Tapera, onde passa a maior parte do tempo. Não houve qualquer descumprimento."

Defesa também contesta envolvimento nos crimes

Além da questão do imóvel, a defesa também contesta a própria participação de Paulo Augusto nas duas tentativas de homicídio que embasam o processo. Segundo o advogado, os depoimentos já reunidos nos autos demonstrariam que o réu não teve envolvimento direto nos crimes investigados. Essas alegações, porém, ainda precisam ser analisadas pela Justiça.

Pedido de prisão preventiva vai para o TJ-AL

O Ministério Público havia solicitado a prisão preventiva de Paulo Augusto, mas o juiz de primeira instância optou por não analisar o pedido diretamente. Como já existe um recurso do processo em tramitação no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), o magistrado decidiu encaminhar o caso ao desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, responsável agora por decidir sobre a prisão.

Até o momento, a prisão do réu não foi decretada.

Sobre a decisão do juiz de encaminhar o caso ao tribunal, o advogado da defesa fez questão de elogiar a postura adotada pelo magistrado.

"É claro que o magistrado estranhou ver uma pessoa que responde a um processo chegando ao condomínio onde ele mora. Mas teve a cautela de dar vista à defesa, e nós justificamos."

Defesa sugere motivação política, mas não apresenta provas


Por fim, a defesa também levantou a hipótese de que a repercussão do episódio possa ter motivação política, já que o pai de Paulo Augusto é um político local. No entanto, o advogado não apresentou nenhuma prova concreta que sustente essa alegação.

Agora, caberá ao desembargador do TJ-AL analisar tanto o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público quanto os esclarecimentos apresentados pela defesa sobre o caso.

Com G1 Alagoas.