Polícia
Irmão de professora morta com 37 facadas relata comportamento possessivo de ex-cunhado
Testemunha abriu os depoimentos no Fórum Desembargador Oscar Tenório; réu voltou a negar o assassinato ocorrido em 2018 após ser capturado no Mato Grosso
Teve início nesta quarta-feira (29), no Fórum Desembargador Oscar Tenório, no município de Viçosa, interior de Alagoas, o julgamento de José Ricardo dos Santos, acusado de ter assassinado a facadas a companheira e professora Cenira Angélica Ventura da Silva, de 39 anos. O primeiro a prestar depoimento diante do Tribunal do Júri foi Alexandre Henrique, irmão da vítima, que detalhou o histórico de posse e o relacionamento abusivo mantido pelo acusado.
Em sua oitiva, a testemunha ressaltou as qualidades de Angélica — como a professora era conhecida — e relembrou os avisos dados pela família antes da tragédia.
"Ela era uma pessoa que todos que conviviam tinham facilidade de gostar. Sempre estava disposta a ajudar as pessoas. Minha mãe disse que ele era estranho e tinha um comportamento possessivo. Inclusive, soube que a ex-companheira morria de medo dele", relatou Alexandre, acrescentando que descobriu o padrão abusivo das atitudes do ex-cunhado após queixas da mãe.
O irmão da vítima também detalhou os momentos seguintes ao crime, ocorrido em 2 de março de 2018. Segundo a testemunha, a professora saiu mais cedo da escola onde lecionava, esteve com amigas em uma praça pública e retornou para casa acompanhada por José Ricardo. Vizinhos relataram ter ouvido discussões intensas no imóvel. Ao chegar ao local, Alexandre foi informado por moradores que o réu havia cometido o crime e fugido em uma motocicleta.
"Eu vi, mas meu cérebro bloqueou. Acho que pelo choque. Os vizinhos ouviram gritos, a discussão. Ele premeditou tudo", completou o irmão.
De acordo com as investigações, Angélica tentou escapar das agressões sofridas no interior da residência, mas foi alcançada na rua e morta com 37 golpes de faca.
Fuga de cinco anos e tese de acusação
Após o feminicídio, José Ricardo permaneceu foragido por mais de cinco anos, sendo localizado e preso em dezembro de 2023 no estado do Mato Grosso, de onde foi trazido para cumprir prisão preventiva em Alagoas. Ouvido por videoconferência durante a sessão de julgamento, o réu manteve a tese de negação da autoria do crime.
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) sustenta a acusação de homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e pela condição de sexo feminino, configurando feminicídio no âmbito da violência doméstica e familiar.

