Polícia

Flávio Bolsonaro nega calúnia contra Lula em manifestação escrita à PF

O depoimento estava agendado para as 14h, mas os advogados do parlamentar enviaram ao delegado responsável pelo caso uma petição na qual Flávio Bolsonaro se defende das acusações e solicita que a manifestação escrita substitua o depoimento presencial

Por Agência Brasil com Redação 28/07/2026 16h04
Flávio Bolsonaro nega calúnia contra Lula em manifestação escrita à PF

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou nesta terça-feira (28) uma manifestação escrita e não compareceu ao depoimento marcado pela Polícia Federal (PF) no inquérito em que é acusado de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O depoimento estava agendado para as 14h, mas os advogados do parlamentar enviaram ao delegado responsável pelo caso uma petição na qual Flávio Bolsonaro se defende das acusações e solicita que a manifestação escrita substitua o depoimento presencial. Por estar na condição de acusado, o senador não é obrigado a depor.

O delegado Antônio Carlos Knoll, responsável pelo inquérito, informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, que o senador foi devidamente intimado, mas optou por apresentar defesa por escrito.

O caso diz respeito a uma postagem feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em 3 de janeiro deste ano, quando o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado pelos Estados Unidos.

Na publicação, o senador escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.

Em junho, a PF encerrou o inquérito e concluiu que o senador cometeu calúnia ao relacionar Lula aos crimes citados na postagem.

Na manifestação apresentada nesta terça-feira à PF, Flávio Bolsonaro negou ter caluniado Lula.

“Em nenhum momento da postagem, nem expressa nem implicitamente, tais tipos penais são atribuídos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo nome sequer consta da segunda oração. A leitura que transporta para o presidente da República os fatos imputados ao ex-mandatário venezuelano é, portanto, uma construção interpretativa errônea da publicação, carente de amparo no próprio texto da postagem”, argumentou o senador.

O depoimento de Flávio foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes após solicitação do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Gonet citou a legislação penal e destacou que o senador poderia apresentar retratação de suas falas, possibilidade que pode isentá-lo de eventual condenação. Por esse motivo, o caso retornou à PF após a conclusão da investigação.