Polícia

PF prende empresário alagoano em investigação sobre fraude bilionária na mineração

Operação apura esquema de R$ 1,5 bilhão, suspeitas de espionagem, licenças irregulares e tentativa de interferência na Justiça

Por Esther Barros 19/06/2026 08h08
PF prende empresário alagoano em investigação sobre fraude bilionária na mineração
. - Foto: Reprodução

O empresário alagoano Alan Cavalcante do Nascimento foi preso preventivamente durante uma nova fase da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para desarticular um suposto esquema criminoso estimado em R$ 1,5 bilhão no setor da mineração. 

A ação ocorreu nesta quinta-feira (18) e também resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão, além da suspensão das atividades de empresas ligadas aos investigados.

As medidas foram autorizadas pela Justiça Federal em Belo Horizonte, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF).

Segundo as investigações, a organização teria estruturado uma rede para obter licenças ambientais de forma irregular, explorando áreas de mineração por meio de práticas ilícitas e de ações voltadas a dificultar o trabalho dos órgãos de fiscalização e da Justiça.

A Polícia Federal afirma que o grupo utilizava métodos considerados sofisticados para proteger seus interesses, incluindo a contratação de serviços de espionagem, o acesso indevido a informações sigilosas e a tentativa de influenciar agentes públicos. Os investigadores também apontam indícios de uso irregular de sistemas restritos e até de simulações de operações policiais para favorecer a atuação da organização.

As apurações são desdobramento de fases anteriores da Operação Rejeito, que identificaram um conglomerado formado por mais de 40 empresas supostamente utilizado para viabilizar fraudes ambientais. Entre as estruturas investigadas está a holding Minerar S/A, apontada como peça central no funcionamento do esquema.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a adoção de estratégias consideradas incomuns, como a compra de imóveis próximos às residências de magistradas que atuavam em processos envolvendo o grupo. Também há suspeitas de destruição de provas após operações anteriores.

De acordo com a PF, a organização é investigada pela exploração de minério de ferro em áreas de proteção ambiental, incluindo regiões da Serra do Curral, em Belo Horizonte.

Nas etapas anteriores da investigação, empresários, servidores públicos e ex-dirigentes federais também foram presos, entre eles um diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM) e um ex-chefe da Polícia Administrativa da Polícia Federal.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, obstrução de investigações, violação de sigilo e fraudes relacionadas ao licenciamento ambiental. As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração sobre o funcionamento do esquema.