Polícia
Justiça mantém delegado-geral afastado por suspeita em fraudes
Decisão da Justiça Federal da Paraíba amplia por mais 60 dias medida cautelar ligada à investigação da chamada “máfia dos concursos"
A Justiça Federal da Paraíba decidiu prorrogar por mais 60 dias o afastamento cautelar do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, investigado por suposta ligação com um esquema de fraudes em concursos públicos conhecido como “máfia dos concursos”.
A decisão foi assinada pelo juiz federal Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba, após manifestação do Ministério Público Federal, que apontou a necessidade da manutenção do afastamento para evitar possíveis interferências no andamento das investigações.
Além de Gustavo Xavier, o agente da Polícia Civil de Alagoas Eudson Oliveira de Matos também teve o afastamento prorrogado pelo mesmo período. Ele permanece preso na Central de Flagrantes da corporação em Alagoas.
Segundo a decisão judicial, a medida cautelar é considerada necessária para impedir novas práticas ilícitas e preservar a investigação em andamento. O magistrado destacou ainda que o afastamento não representa condenação antecipada, mas uma forma de garantir a lisura do processo investigativo.
As apurações fazem parte de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema interestadual de manipulação de concursos públicos. O delegado-geral de Alagoas foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação realizada em março deste ano, com ações na Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
De acordo com os autos, as investigações apontam suspeitas de que Gustavo Xavier teria atuado para favorecer familiares em certames públicos e buscado vantagens ilícitas junto ao grupo investigado. A apuração é baseada em depoimentos de colaboração premiada e interceptações telefônicas.
A Justiça também considerou preocupante a apreensão de um aparelho celular na cela onde Eudson Oliveira está custodiado, fato que, segundo o entendimento judicial, pode indicar continuidade das práticas investigadas.
Outro ponto citado pelo Ministério Público Federal é a realização de um novo concurso para os cargos de agente e escrivão da Polícia Civil de Alagoas. Para os investigadores, a permanência dos servidores em funções estratégicas poderia comprometer a credibilidade e a segurança do certame.
Mesmo afastado do comando da Polícia Civil, Gustavo Xavier continua exercendo atividades como delegado da corporação.
A investigação da chamada “máfia dos concursos” revelou um sofisticado esquema de fraudes liderado por um grupo sediado em Patos, no Sertão da Paraíba. Conforme as investigações da Polícia Federal, a organização utilizava pontos eletrônicos, dublês e tecnologias clandestinas para garantir aprovações em concursos públicos de diversos órgãos do país.
Os investigadores afirmam que o grupo atuava havia mais de uma década, negociando aprovações em cargos públicos mediante pagamento de propina, com valores que chegavam a centenas de milhares de reais.


