Polícia
Roubos e mortes em assaltos caem até 94% em Alagoas
O roubo de motos e similares teve retração de 56,52%, passando de 2,3 mil casos em 2015 para 1 mil em 2025
Alagoas registra uma expressiva redução nos índices de latrocínio — roubo seguido de morte —, com queda de quase 94% entre 2012 e 2025. Em 2012, foram contabilizados 96 casos, enquanto em 2025 o número caiu para apenas seis. A tendência de queda se manteve nos primeiros cinco meses de 2026, com apenas uma ocorrência registrada.
Os crimes patrimoniais, que incluem roubos a transeuntes, residências, veículos de passeio, motos e similares, também apresentaram redução significativa. Em 2015, o estado somava 7,7 mil roubos a transeuntes, número que caiu para 4,4 mil em 2025 — uma diminuição de 41,33%. Os roubos a residências recuaram de 237 para 113 no mesmo período, representando queda de 52,32%.
O roubo de motos e similares teve retração de 56,52%, passando de 2,3 mil casos em 2015 para 1 mil em 2025. Já os roubos de veículos de passeio caíram 69,3%, saindo de 854 para 262 registros.
Nos primeiros cinco meses de 2026, a tendência de queda persiste. Na comparação com igual período de 2025, o roubo a transeuntes diminuiu 27,8%; o de residências, 12,8%; motos e similares, 30%; e veículos de passeio, 21,7%.
Estratégia e policiamento ostensivo
De acordo com o diretor de Polícia da Área I, delegado Sidney Tenório, a redução dos crimes patrimoniais e latrocínios em Alagoas é resultado de estratégias pontuais, como abordagens ostensivas e o fortalecimento do trabalho de inteligência policial.
Segundo ele, a presença ostensiva nas ruas foi intensificada nos últimos anos, com programas como o Força-Tarefa, da Polícia Militar, e o Ronda no Bairro, da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev). O delegado também destaca o patrulhamento da Oplit e da Operação Policial Integrada Litorânea (Cone) em áreas com maior incidência de ocorrências. “O crime patrimonial está muito relacionado ao horário, e abordagens em momentos estratégicos inibem a ação dos criminosos”, observa Sidney Tenório.
O diretor ressalta que, entre os crimes patrimoniais, o roubo preocupa pelo potencial de violência. “O que leva ao latrocínio é o roubo armado, qualificado, com resultado morte. Mas há também outros delitos, como furto e estelionato”, esclarece.
Inteligência e participação da população
A tecnologia tem sido uma aliada central no combate à criminalidade. “Graças à tecnologia e ao avanço dos dados estatísticos, a polícia atua de forma inteligente, a partir do que chamamos de manchas criminais”, explica Tenório.
Essas manchas são traçadas com base nos Boletins de Ocorrência (B.O.), por isso o delegado reforça a importância da denúncia pelas vítimas. “Com essas informações, a polícia identifica o horário, o dia e o local dos crimes, reforçando o policiamento em regiões e horários específicos.”
Outro pilar destacado é a atuação dos Centros Integrados de Segurança Pública (Cisps), presentes na maioria dos municípios alagoanos. O fortalecimento dessas unidades, com novas viaturas, aumento do efetivo e integração entre as polícias Civil e Militar, mudou a dinâmica do combate ao crime no interior do estado.
“Os Cisps possibilitam, por exemplo, que o delegado e o comandante da Polícia Militar conversem diariamente sobre as melhores práticas para combater crimes, inclusive os patrimoniais, que atingem principalmente a classe média”, pontua Tenório.
Como medida preventiva, o delegado orienta que os cidadãos adotem cuidados diários, como evitar expor objetos de valor e redobrar a atenção ao chegar em casa, observando a movimentação nas ruas.
Investimento recorde em segurança
Os resultados positivos alcançados até maio de 2026 refletem um planejamento de longo prazo. Durante apresentação dos dados oficiais, o secretário de Estado de Segurança Pública, delegado Flávio Saraiva, afirmou que os índices são fruto dos investimentos do governo desde o início da atual gestão, em 2022.
“Nenhum governo investiu tanto em segurança pública quanto o governo Paulo Dantas, e isso se traduz nos números expressivos de redução da criminalidade em Alagoas”, afirmou Saraiva, destacando o investimento de R$ 830 milhões desde 2015 para estruturar a área.
Segundo o secretário, as lideranças das polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros estão cumprindo a meta de reduzir anualmente homicídios e crimes contra o patrimônio. “Esses resultados são fruto da atuação conjunta das nossas forças de segurança e, hoje, não há operação que não seja integrada. A integração é o lema da nossa gestão, pois quem não se integra se desintegra”, concluiu.


