Polícia

IML destaca atuação pericial em área de difícil acesso

Equipe de antropologia forense participou de operação em manguezal de Coruripe para preservar evidências e auxiliar na identificação de vítima

Por Redação* 05/06/2026 10h10
IML destaca atuação pericial em área de difícil acesso
A operação foi coordenada pela Polícia Civil de Alagoas (PCAL) - Foto: Aarão José / Ascom Polícia Científica

O Instituto Médico Legal (IML) de Maceió mobilizou uma equipe de Antropologia Forense para uma operação realizada na área de manguezal conhecida como “Buraco”, no município de Coruripe. A ação teve como objetivo a busca e o recolhimento de corpos em uma região de difícil acesso, contribuindo para a preservação de evidências e para o processo de identificação humana.

Participaram da operação os médicos legistas Luiz Mansur, Diogo Nilo e Eduardo Yukishigue Nisiyama. O trabalho foi coordenado pela Polícia Civil de Alagoas (PCAL), com apoio da Polícia Militar (PMAL) e do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL).

Durante as buscas, foram utilizados drones e cães farejadores para auxiliar na varredura da área alagada. A operação resultou na localização de um corpo do sexo masculino em avançado estado de decomposição.

A atuação dos especialistas diretamente no local da ocorrência foi acompanhada pelo perito-geral da Polícia Científica de Alagoas, Kleber Santana. Segundo o chefe do IML de Maceió, Luiz Mansur, a presença da equipe de antropologia forense no campo é fundamental para preservar informações que podem ser perdidas caso os restos mortais sejam removidos sem análise técnica prévia.

“No local, o antropólogo consegue analisar a disposição do esqueleto e os vestígios adjacentes, identificando se houve movimentação pós-morte ou ação de agentes naturais. Retirar os restos mortais sem essa observação técnica pode comprometer evidências que o laboratório não é capaz de recuperar posteriormente”, pontua Mansur.

De acordo com o perito, a coleta especializada também evita a perda de pequenos fragmentos ósseos e dentes, elementos que podem ser determinantes para a identificação da vítima por meio de exames de DNA ou odontologia legal.

Ainda na área da ocorrência, os médicos legistas conseguem realizar estimativas sobre sexo biológico, idade aproximada e estatura da vítima, além de identificar possíveis sinais de trauma. As informações auxiliam as investigações policiais e permitem o cruzamento de dados com registros de pessoas desaparecidas.

Após a conclusão dos trabalhos de campo, o corpo foi removido e encaminhado ao IML de Maceió, onde será submetido aos exames de necropsia e aos procedimentos oficiais de identificação humana.

Para Luiz Mansur, a atuação pericial em campo é essencial para garantir a integridade das investigações e preservar a cadeia de custódia das evidências.

“Levar o perito até o local é ciência aplicada no terreno. É onde garantimos a chance de dar nome, causa e circunstância à morte. A justiça começa na preservação de cada detalhe encontrado na lama”, resume Luiz Mansur.

*Com informações da Ascom Polícia Científica