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Tarifa dos EUA gera preocupação na indústria de café solúvel

Setor teme impactos de proposta que pode elevar para 35% a taxa sobre o produto brasileiro exportado ao mercado americano

Por Redação 05/06/2026 11h11
Tarifa dos EUA gera preocupação na indústria de café solúvel
Setor avalia impactos de possível aumento na taxação das exportações para o mercado americano - Foto: Freepik

A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros aumentou a preocupação da indústria nacional de café solúvel. O segmento esperava ser incluído entre as exceções previstas pelas autoridades americanas, mas ficou fora da lista divulgada até o momento.

Atualmente, o café solúvel brasileiro exportado para os Estados Unidos já está sujeito a uma tarifa de 10%. Caso a proposta apresentada pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) seja confirmada, a cobrança passará para 35%, elevando os custos de acesso ao principal mercado consumidor do produto.

O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo José de Lima, afirmou que o setor acompanha a situação com apreensão e aguarda o avanço das negociações entre os governos dos dois países.

“Estamos tensos. A gente percebe que o governo dos Estados Unidos quer um acordo com o Brasil e vai depender dessas negociações”, afirma.

Segundo o dirigente, a entidade ainda não definiu uma estratégia específica para reagir à possível medida tarifária. As próximas ações dependerão dos desdobramentos das conversas entre representantes do setor privado e o governo brasileiro.

Lima destacou, entretanto, que os canais de diálogo com as autoridades americanas estão mais acessíveis do que em momentos anteriores.

“Antes, estava muito difícil. Agora, temos um ambiente para discutir isso. Existe a possibilidade de enviarmos comentários, vamos ter audiências”, disse.

A proposta da Casa Branca foi apresentada no âmbito de uma investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. A expectativa é que a decisão final sobre a nova taxação seja anunciada até 6 de julho.

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) também manifestou preocupação com a medida. Em nota, a entidade alertou para os possíveis impactos sobre toda a cadeia produtiva do café e informou que continuará dialogando com representantes americanos para defender a manutenção da isenção tarifária para todas as categorias do produto brasileiro.

"A proposição apresentada pelo USTR se trata de medida em processo regulatório ainda em andamento e não representa uma decisão definitiva do governo dos EUA. A BSCA reforça seu compromisso com a defesa de condições justas de comércio para todos os cafés brasileiros”, diz a nota.

A possibilidade de isenção para o café solúvel conta ainda com apoio da indústria norte-americana. Durante o Seminário Internacional do Café, realizado em maio, em Santos (SP), o presidente da National Coffee Association (NCA), Bill Murray, defendeu a inclusão do produto entre as exceções tarifárias.

Segundo ele, o café solúvel possui relevância tanto para os consumidores quanto para a indústria de bebidas prontas dos Estados Unidos, que utiliza o produto como matéria-prima em diversas formulações.

“Muitas pessoas consomem o café solúvel e estão preocupadas com a situação econômica. Está muito claro que precisamos de uma exceção”, disse durante o evento.