Polícia
Polícia Científica analisa ração após mortes de cavalos em AL
Perícia investiga possível contaminação em alimento animal ligado à morte de cerca de 90 equinos em Atalaia
A Polícia Científica de Alagoas confirmou, nesta sexta-feira (14), a coleta de amostras de ração animal para perícia, após apreensão em um haras no município de Atalaia. O trabalho, coordenado pelo Instituto de Criminalística (IC) de Maceió, é considerado peça-chave para concluir a investigação sobre o adoecimento e a morte de equinos após o consumo de alimento industrializado.
A chefia do Laboratório Forense destacou que a finalização dos exames depende da chegada de reagentes importados, já que se trata de uma demanda incomum tanto em Alagoas quanto no restante do país.
O caso ocorreu no ano passado e resultou na morte de aproximadamente 90 animais, todos com evolução clínica aguda. Na época, vistorias sanitárias indicaram relação direta entre o consumo do produto e os quadros clínicos e anatomopatológicos observados. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) já havia identificado previamente a presença de monocrotalina, substância tóxica do grupo dos alcaloides pirrolizidínicos.
De acordo com a perita criminal Jana Kelly, médica-veterinária responsável pela perícia, a análise laboratorial busca identificar possíveis contaminantes que possam comprometer a saúde animal. O exame também irá verificar a composição e a integridade do produto armazenado.
“A coleta das amostras seguiu rigorosos protocolos de cadeia de custódia, garantindo a adequada identificação e o acondicionamento do material. Todo o conteúdo foi encaminhado ao Laboratório de Química para análises específicas e detalhadas”, explicou a perita.
Além de Jana Kelly, a equipe pericial contou com os peritos criminais Marcelo Velez, Amanda Lemes e Vinicius Rabelo, além do apoio do auxiliar de perícia André Lira. A conclusão do laudo pericial depende agora dos resultados laboratoriais, fundamentais para o esclarecimento dos fatos e o encerramento do inquérito policial.
As perícias foram solicitadas após a abertura de inquérito fundamentado na Nota Técnica nº 19/2025, emitida pelo MAPA. As mortes causaram prejuízo milionário aos proprietários dos animais e, além das sanções administrativas, a empresa responsável poderá responder criminalmente.


