Polícia
Filho do prefeito de Pindoba é preso por acidente fatal com veículo da prefeitura
Investigação aponta que acusado invadiu contramão, fugiu sem prestar socorro e contou com apoio de servidores para criar álibi falso
A Justiça de Alagoas determinou a prisão preventiva de José Cícero Cardoso Costa Júnior, filho do prefeito de Pindoba, sob a acusação de provocar um acidente fatal na BR-316, em Atalaia. O caso, que ocorreu em fevereiro deste ano, ganha contornos ainda mais graves devido ao uso de um veículo da frota municipal e a uma suposta força-tarefa para obstruir a investigação policial.
De acordo com o inquérito, o investigado conduzia uma picape Fiat Toro pertencente à Prefeitura de Pindoba quando invadiu a pista contrária e atingiu frontalmente o motociclista Francillanio Correia Alexandre de Almeida. A vítima sofreu ferimentos severos, incluindo uma amputação traumática, e faleceu após uma semana de internação devido a complicações do quadro clínico.
A trama para ocultar o crime
A denúncia do Ministério Público revela que José Cícero não apenas fugiu do local sem prestar assistência, como teria articulado uma rede de mentiras para se esquivar da responsabilidade. Servidores municipais são suspeitos de colaborar na construção de uma versão falsa, apresentando outra pessoa como condutor do veículo no momento da colisão.
Entretanto, a tecnologia desmentiu o álibi: a quebra de sigilo telefônico confirmou que o celular do filho do prefeito estava na área do acidente, enquanto o aparelho do "falso motorista" sinalizava em um município diferente. Somado a isso, o veículo oficial foi removido da cena e reparado antes da perícia, o que fundamentou a acusação de fraude processual.
Decisão
Ao decretar a prisão, o magistrado ressaltou que a liberdade do acusado representava um risco real à ordem pública e à continuidade das investigações, dada a evidente tentativa de manipular provas. Além do homicídio culposo — agravado pela omissão de socorro —, José Cícero responde agora por fraude processual, autoacusação falsa e falso testemunho. O mandado de prisão já foi expedido e deve ser cumprido pelas autoridades policiais.


