Agro
Açúcar sobe com previsão de déficit global e avanço do etanol
Mercado reage a projeções de oferta mais apertada e maior destinação da cana para biocombustíveis no Brasil
Os preços do açúcar fecharam em alta nesta terça-feira (12) nas bolsas internacionais, impulsionados pelas projeções de déficit global da commodity e pela expectativa de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil.
Na bolsa de Nova York, o contrato julho do açúcar bruto encerrou o pregão com valorização de 0,67%, cotado a 15,01 cents de dólar por libra-peso, avanço de 10 pontos.
Já na bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco fechou a US$ 441,70 por tonelada, alta de 1,02%, equivalente a 440 pontos.
StoneX prevê déficit global na safra 2026/27
O mercado ganhou sustentação após a consultoria StoneX projetar déficit global de 550 mil toneladas de açúcar na safra 2026/27.
A previsão representa uma mudança em relação à temporada 2025/26, marcada por superávit estimado em 2,3 milhões de toneladas.
O Citigroup também revisou para baixo sua estimativa para a produção brasileira de açúcar em 2026/27. O banco passou a prever produção de 39,5 milhões de toneladas, abaixo da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estimada em 43,95 milhões de toneladas.
Segundo a instituição financeira, a diferença ocorre devido à estratégia das usinas brasileiras de destinarem maior volume de cana-de-açúcar à produção de etanol, movimento impulsionado pela alta dos preços da gasolina.
El Niño preocupa mercado internacional
Outro fator que sustentou as cotações foi a preocupação com um possível fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo deste ano.
O Citigroup alertou que o evento climático pode afetar a produção de açúcar na Índia e na Tailândia nos próximos seis a 12 meses, reduzindo a oferta global da commodity.
Centro-Sul deve registrar segunda maior safra
Apesar das preocupações no mercado internacional, a safra brasileira segue com perspectivas positivas.
De acordo com a StoneX, a região Centro-Sul deve registrar a segunda maior safra de cana-de-açúcar da história na temporada 2026/27, iniciada em abril.
A consultoria estima moagem de 632,2 milhões de toneladas, acima da previsão divulgada em março, de 620,5 milhões de toneladas. O volume também supera a safra 2025/26, que somou 621,9 milhões de toneladas.
Segundo a empresa, as condições climáticas favoráveis devem contribuir para o aumento da produção agrícola.
Produção de etanol pode crescer
A maior oferta de matéria-prima também deve provocar mudanças no perfil produtivo das usinas brasileiras.
Segundo a Datagro, a produção de açúcar deve permanecer praticamente estável, em torno de 40,7 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de etanol poderá crescer cerca de 4,6 bilhões de litros na safra 2026/27.
A avaliação do mercado é de que uma parcela maior da cana será destinada ao biocombustível, diante do cenário de preços da gasolina e da energia.


