Polícia
Caso de tortura contra doméstica grávida choca o Maranhão
Jovem de 19 anos sofreu violência após acusação de furto; polícia investiga caso ocorrido em Paço do Lumiar
Uma jovem de 19 anos, grávida de quase seis meses, foi vítima de agressões e tortura em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. O caso é investigado pela Polícia Civil do Maranhão e ocorreu na residência onde a vítima trabalhava como empregada doméstica.
Segundo as investigações, a violência teria sido motivada pela suspeita de furto de um anel. Sem provas, a patroa, identificada como Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, passou a agredir a jovem com apoio de um homem ainda não identificado.
De acordo com o relato da vítima, as agressões incluíram socos, tapas e ameaças com arma de fogo. A gestante também teria sido forçada a procurar o objeto pela casa enquanto era intimidada.
O anel foi posteriormente encontrado em um cesto de roupas da própria residência, o que descartou a suspeita de furto. Ainda assim, segundo depoimento prestado à polícia, as agressões continuaram mesmo após a localização do objeto.
Áudios reforçam suspeita de tortura
Durante as investigações, a polícia teve acesso a áudios enviados pela suspeita em um grupo de mensagens. Nas gravações, Carolina relata as agressões e afirma que contou com a ajuda de um homem armado, que teria colocado a vítima de joelhos e usado a arma para intimidá-la.
Segundo o material analisado pela polícia, a doméstica foi ameaçada e agredida enquanto era forçada a confessar o suposto furto. Em um dos trechos, a investigada afirma: “Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto que até hoje minha mão está aqui inchada”.
Os áudios também indicam que uma viatura da Polícia Militar abordou os envolvidos no dia do crime, mas a suspeita teria sido liberada após conversa com um policial conhecido. O caso será apurado pela corregedoria.
O delegado responsável pela investigação informou que deve solicitar a prisão preventiva da suspeita e apura a possível participação de outros envolvidos.
A vítima foi encaminhada para atendimento médico e passou por exame de corpo de delito, que constatou lesões. O caso também é acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão, por meio da Comissão de Direitos Humanos.
A Polícia Civil apura as circunstâncias do crime e busca identificar o segundo envolvido nas agressões. A suspeita nega as acusações e afirmou, em nota, que houve “distorção dos fatos”.


