Polícia
Coxinha envenenada termina em condenação de mais de 33 anos em AL
Justiça reconhece feminicídio e tentativa de homicídio contra filho da vítima
A Justiça condenou Felippe Silva Cirino a 33 anos, 2 meses e 19 dias de prisão pelos crimes de feminicídio contra a professora Joice dos Santos Cirino e tentativa de homicídio contra o próprio filho do casal.
A sentença foi proferida nesta quarta-feira (11) e encerra um dos casos criminais que mais chocaram o interior de Alagoas.
Joice, de 36 anos, morreu em 9 de outubro de 2024, após consumir uma coxinha que, segundo a investigação, teria sido envenenada pelo então marido. O crime ocorreu no município de São Brás, no Baixo São Francisco.
De acordo com as investigações da Polícia Civil de Alagoas, o alimento foi levado para casa pelo acusado e oferecido tanto à professora quanto ao filho do casal, que tinha 15 anos na época. O adolescente recusou o lanche e preferiu comer uma sopa preparada pela mãe, o que acabou evitando que também fosse vítima do envenenamento.
Familiares relataram que Joice já demonstrava receio de ser alvo de um atentado. A irmã da vítima, Maria Luana Alves, afirmou que a professora chegou a enviar áudios e fotografias alertando que, caso passasse mal após ingerir algum alimento, o responsável seria o marido.
As investigações conduzidas pelo delegado Rômulo Andrade apontaram comportamentos considerados suspeitos por parte do acusado. Entre os elementos analisados estão o retorno dele à residência após o crime para descartar embalagens do lanche, o atraso em buscar socorro para a vítima e a postura considerada fria ao ser informado da morte.
Com a condenação, a Justiça reconheceu que o crime foi motivado por violência doméstica e familiar, enquadrando o caso como feminicídio, forma qualificada de homicídio prevista na legislação brasileira. A pena também inclui a tentativa de homicídio contra o filho do casal, que poderia ter consumido o alimento contaminado.


