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“Foi Deus quem mandou”: pastor é denunciado após ataques a terreiro

Assentamento de Exu foi destruído duas vezes durante o mês de agosto

Por Redação 15/09/2026 15h03
“Foi Deus quem mandou”: pastor é denunciado após ataques a terreiro
Terreiro Ilê Axé Tonan Onirê funciona em Acupe desde 1998 - Foto: Arquivo pessoal

Uma mãe de santo denunciou um pastor evangélico por destruir, em duas ocasiões, um assentamento de Exu localizado na frente de um terreiro em Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia. Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi encaminhado à Justiça no sábado (12).

O terreiro Ilê Axé Tonan Onirê funciona no distrito de Acupe desde 1998. De acordo com Mãe Deca, responsável pelo templo, os episódios registrados em agosto deste ano foram o primeiro ataque sofrido pela casa religiosa em quase três décadas de funcionamento.

“Ele quebrou o assentamento de Exu e disse que foi Deus quem mandou”, contou.

O primeiro episódio aconteceu em 4 de agosto. Conforme relatos de testemunhas, o suspeito foi até o terreiro e destruiu o assentamento de Exu, que estava instalado na entrada do templo havia cerca de três anos. Durante o ataque, a cabeça da imagem foi arrancada.

Nas religiões de matriz africana, o assentamento é considerado um altar sagrado que concentra a energia e a representação material do orixá. Exu é associado à comunicação, sendo considerado mensageiro divino e abridor de caminhos.

NOVA AMEAÇA


Após o primeiro ataque, Mãe Deca refez o assentamento e procurou o suspeito. Segundo o relato dela, o pastor afirmou que voltaria a destruir a imagem e ameaçou agredi-la caso tentasse impedir a ação.

Na ocasião, pessoas que estavam no local precisaram separar os dois para evitar que a situação terminasse em agressões físicas.

Em 30 de agosto, o assentamento foi novamente vandalizado. Desta vez, a imagem de Exu foi completamente destruída.

Orientada pela Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA), Mãe Deca registrou o caso na Delegacia de Santo Amaro. Uma medida protetiva também foi solicitada.

Para a responsável pelo terreiro, a denúncia representa não apenas uma forma de buscar segurança para os frequentadores do Ilê Axé Tonan Onirê, mas também uma maneira de proteger outros espaços religiosos de matriz africana.

“Assim como foi aqui, poderia ter sido em outro terreiro. Isso não pode acontecer”, disse.

Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi enviado à Justiça no sábado. Até o momento, ninguém foi preso.