Nacional
Uso de IA entre estudantes brasileiros supera média global
A pesquisa, primeira a medir esse comportamento em larga escala, destaca que o uso de IA para consultas rápidas sobre temas novos é adotado por 40% dos estudantes brasileiros
O uso de inteligência artificial (IA) entre estudantes brasileiros de 15 anos já supera a média global, revelando novos desafios para a educação. Segundo levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 48% desses jovens no Brasil utilizam chatbots semanalmente para aprender, especialmente em pesquisas rápidas.
A pesquisa, primeira a medir esse comportamento em larga escala, destaca que o uso de IA para consultas rápidas sobre temas novos é adotado por 40% dos estudantes brasileiros, enquanto a média dos países da OCDE é de 31% — o maior contraste identificado.
Além disso, 31% dos alunos no Brasil recorrem a ferramentas de IA para resumir textos escolares, número próximo à média internacional de 30%. Para a redação de textos completos, o índice é de 27% no Brasil, ante 29% nos demais países avaliados.
Apesar da popularização das ferramentas digitais, 11% dos estudantes brasileiros afirmam nunca utilizar IA para tarefas escolares, um percentual ligeiramente inferior aos 14% registrados na média da OCDE. O dado mostra que, embora amplamente disseminada, a tecnologia ainda não é universal.
Para Ernesto Martins, pesquisador do Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), os resultados reforçam a necessidade de investigar de forma mais aprofundada como a IA está influenciando o aprendizado. Ele ressalta que ainda não há evidências conclusivas sobre impactos positivos ou negativos no desempenho dos estudantes.
O Pisa também identificou que alunos que respondem rapidamente e de forma superficial tendem a errar questões que exigem leitura cuidadosa, um padrão considerado preocupante. Martins acredita que esse comportamento pode estar relacionado ao uso intensivo de tecnologias que incentivam o consumo ágil de informações.
O pesquisador alerta ainda que o ambiente digital — marcado pela presença de IA, redes sociais e leitura dinâmica — pode afetar especialmente leitores menos proficientes, com consequências não apenas na compreensão leitora, mas em outras áreas do conhecimento. Para ele, o cenário demanda reflexão e a formulação de políticas educacionais que considerem esse novo contexto cognitivo.
