Nacional
Mulher resgatada de cativeiro relata abusos e queimaduras com ácido na boca
Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, afirma ter sido dopada e mantida presa pelo ex-companheiro
Resgatada após permanecer cinco dias em um imóvel em Águas Lindas de Goiás, Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, afirmou ter sido submetida a agressões, ameaças e restrições durante o período em que esteve presa pelo ex-companheiro
Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de domingo (23), Emiliane contou parte da rotina de violência que afirma ter enfrentado enquanto estava em cativeiro. Entre os relatos, a jovem disse que o ex-companheiro teria colocado panos com ácido em sua boca, provocando queimaduras e descamação da pele.
"Do jeito que está minha boca, eu estou toda queimada por dentro porque ele enfiava panos com ácido dentro de mim", disse.

A vítima também relatou ferimentos nos olhos e dificuldade para engolir. Segundo ela, as lesões ainda dificultam a comunicação com familiares e conhecidos.
"Tenho milhões de mensagens e não estou conseguindo responder a ninguém, os meus dois olhos ainda estão muito prejudicados", afirmou.
Emiliane disse ainda que era obrigada a ingerir medicamentos calmantes e permanecia amarrada durante grande parte do tempo. De acordo com o relato, suas mãos eram libertadas apenas uma vez por dia para que pudesse se alimentar.
A jovem afirmou que tinha medo de não conseguir deixar o imóvel porque Aílton Rodrigues, seu ex-companheiro, dizia ter alimentos suficientes para permanecer no local durante anos. Durante o atendimento da ocorrência, a polícia encontrou comida, água e outros mantimentos no endereço.
Após receber alta hospitalar no fim de semana, Emiliane voltou para casa e continua se recuperando dos ferimentos. Ela contou que tenta esconder as marcas das agressões dos filhos pequenos para evitar que eles sejam expostos à situação.
"Meu filho mesmo pergunta: 'Mamãe, por que seu braço está roxo? Mamãe, por que sua mão está inchada?'. E eu tento inventar uma desculpa, dar uma enrolada", disse.
A jovem estava desaparecida desde segunda-feira (17), quando familiares procuraram a polícia. Ela foi localizada pela Polícia Militar na sexta-feira (21), dentro de um imóvel em Águas Lindas de Goiás.
Segundo a corporação, o local era protegido por tapumes e os policiais precisaram arrombar a porta para entrar. Emiliane foi encontrada com os braços, pernas e pescoço presos, além de usar uma máscara que, conforme a polícia, tinha a finalidade de abafar seus gritos.
No imóvel, foram apreendidos algemas, fita adesiva, cordas, medicamentos e um cadeado. Uma pistola que teria sido utilizada durante o crime também foi localizada.
Aílton Rodrigues foi preso em flagrante na sexta-feira, suspeito de sequestro e porte ilegal de arma de fogo. No sábado (22), a prisão foi convertida em preventiva.
A Polícia Civil informou que o suspeito teria confessado, após ser abordado, que dopou Emiliane com clonazepam e a levou para o imóvel, onde ela permaneceu por cinco dias. A investigação trabalha com a possibilidade de que o endereço tenha sido alugado especificamente para funcionar como cativeiro.
A polícia chegou ao suspeito durante as buscas pelo desaparecimento da vítima. Segundo a Polícia Militar, Aílton também estava desaparecido desde o dia 17. A empresa de distribuição pertencente a ele estava fechada, assim como sua residência, enquanto o carro permanecia no local.
Ainda conforme a corporação, o homem foi identificado durante uma abordagem e teria desobedecido a uma primeira ordem de parada antes de ser detido. Durante a abordagem, segundo os policiais, ele teria confessado o crime.
Emiliane afirmou às autoridades que já havia sofrido agressões do ex-companheiro anteriormente, inclusive durante a gravidez. Ela também relatou que um pedido de medida protetiva contra Aílton havia sido negado.
A defesa de Aílton não respondeu às tentativas de contato feitas por telefone e mensagem durante a manhã. Em nota encaminhada no domingo (23), o advogado Ilvan Barbosa afirmou que ainda não seria possível tirar conclusões sobre as acusações enquanto o caso permanece sob investigação.
"A defesa esclarece que qualquer conversa ou suposta declaração atribuída ao custodiado, quando obtida fora das formalidades e garantias previstas em lei, não pode ser considerada válida", diz o texto.
As circunstâncias do crime continuam sendo investigadas pelas autoridades responsáveis.
