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Igreja autoriza pessoas LGBTQIAPN+ a exercerem o pastorado no Brasil

Decisão também proíbe discursos de ódio e práticas discriminatórias nas comunidades

Por Redação 24/07/2026 09h09
Igreja autoriza pessoas LGBTQIAPN+ a exercerem o pastorado no Brasil
Assembleia realizada em Salvador aprovou diretrizes sobre membresia e pastorado - Foto: Reprodução/ Redes sociais

A Igreja Presbiteriana Unida (IPU) aprovou a possibilidade de pessoas LGBTQIAPN+ serem recebidas como membros de suas comunidades religiosas e, caso preencham os requisitos previstos para o ministério, possam atuar como pastores. A decisão foi tomada durante a Assembleia Geral da denominação, realizada nos dias 17 e 19 de julho, em Salvador, na Bahia.

A medida estabelece novas diretrizes relacionadas à inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ dentro da denominação, sem alterar a doutrina da igreja ou impor uma posição única às congregações locais.

O debate sobre o tema teve início em 2023, quando a IPU criou uma Comissão Especial para Assuntos de Gênero. O grupo foi responsável por reunir integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, representantes dos presbitérios e pastores que celebram casamentos entre pessoas homoafetivas.

Durante os trabalhos, a comissão promoveu encontros com lideranças religiosas e analisou documentos oficiais da denominação. Segundo o relatório apresentado à Assembleia Geral, foram identificadas diferentes interpretações sobre a inclusão da população LGBTQIAPN+ dentro da igreja, que variam entre posicionamentos mais conservadores e perspectivas inclusivas.

Além da possibilidade de acolhimento de pessoas LGBTQIAPN+ como membros e líderes religiosos, a assembleia aprovou princípios mínimos que deverão ser observados pelas igrejas locais.

Entre as determinações aprovadas estão:

Proibição de discursos de ódio contra pessoas LGBTQIAPN+
Rejeição de práticas discriminatórias nas comunidades religiosas
Proibição de qualquer forma de violência simbólica, espiritual ou psicológica
Rejeição das chamadas práticas de "cura gay"
Reconhecimento da possibilidade de inclusão na membresia e no pastorado, desde que observados os critérios ministeriais da denominação

Segundo o documento, as diretrizes buscam garantir um ambiente de acolhimento e respeito às diferentes interpretações existentes dentro da própria igreja.

A Igreja Presbiteriana Unida foi fundada na década de 1970, após o desligamento de pastores da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) que defendiam pautas relacionadas à democracia, justiça social e direitos humanos.

Desde então, a denominação passou a funcionar como uma federação de igrejas locais, preservando certa autonomia das congregações em questões administrativas e pastorais.

Com a decisão aprovada em assembleia, a IPU passa a integrar o grupo de denominações cristãs históricas brasileiras que reconhecem a participação plena de pessoas LGBTQIAPN+ em suas estruturas religiosas, ao lado de outras igrejas inclusivas presentes no país.