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Operação apura lavagem de R$ 8,3 milhões após sequestro de empresário

As investigações começaram após o sequestro de um empresário em 2024 e revelaram um esquema de desvio de recursos por meio de boletos falsos e empresas de fachada.

Por Redação 10/07/2026 10h10
Operação apura lavagem de R$ 8,3 milhões após sequestro de empresário
Polícia Civil cumpriu mandados em cidades do Paraná e no Rio Grande do Sul durante a operação. - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Paraná deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), uma operação contra um grupo suspeito de lavar mais de R$ 8,3 milhões desviados de uma empresa de produtos médicos em Curitiba. A investigação surgiu a partir do sequestro do proprietário da companhia, ocorrido em setembro de 2024, e revelou um esquema de fraude financeira que antecedia o crime.

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) cumpriu, nesta sexta-feira (10), 27 mandados judiciais durante uma operação que investiga um grupo suspeito de desviar e lavar mais de R$ 8,3 milhões pertencentes a uma empresa de produtos médicos de Curitiba. As ações ocorreram na capital paranaense, em São José dos Pinhais e Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana, além de Porto Alegre (RS).


Até a publicação desta reportagem, a corporação não havia divulgado o número de prisões realizadas na nova fase da operação.


Segundo as investigações, o caso teve início após o sequestro do empresário de 58 anos, dono da empresa, em setembro de 2024. Na ocasião, criminosos simularam um acidente de trânsito no bairro Jardim Botânico, em Curitiba, para abordar a vítima. Após ser rendido, o empresário foi obrigado a realizar transferências bancárias.


Os suspeitos tentaram obter aproximadamente R$ 3 milhões durante o sequestro. A ação, no entanto, foi interrompida quando o gerente da instituição financeira desconfiou da movimentação atípica e acionou a polícia.


O veículo da vítima foi encontrado incendiado horas depois, no bairro Boqueirão, em Curitiba. Já o empresário foi localizado no dia seguinte, em Monte Castelo, no Norte de Santa Catarina.


Esquema começou antes do sequestro


As investigações apontaram que o grupo já desviava recursos da empresa meses antes do sequestro. A principal suspeita é uma ex-gerente administrativa responsável pelo setor financeiro da companhia, presa em abril deste ano, em São José dos Pinhais.


De acordo com a Polícia Civil, outra ex-funcionária, familiares e pessoas próximas também teriam participado tanto da fraude financeira quanto do planejamento do sequestro.


O grupo emitia boletos fraudulentos em nome de empresas de fachada criadas pelos próprios investigados. Como as funcionárias tinham acesso ao controle das ordens bancárias, conseguiam autorizar pagamentos sem levantar suspeitas.


Ao todo, a polícia identificou 46 boletos fraudulentos emitidos entre janeiro e setembro de 2024 e a participação de 11 pessoas no esquema.


Segundo o delegado Emmanoel David:


"Como essas funcionárias atuavam diretamente no controle do fluxo das ordens bancárias, conseguiram realizar diversos pagamentos que originaram um prejuízo de R$ 8,3 milhões. Paralelo a isso, montaram uma rede de pessoas que recebiam esses valores e transacionavam entre elas de forma a tentar dificultar o seu rastreio."


As investigações seguem para identificar todos os envolvidos e recuperar os valores desviados.