Nacional
Delegada conta como descobriu farsa de mulher que fingia ser criança
Caso de Amanda Maria Souza de Oliveira voltou a repercutir após nova prisão em SC
A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, relembrou o momento em que desmascarou Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que se apresentava como uma menina de 11 ou 12 anos chamada Gabrielly da Silva Ferreira.
Segundo a policial, mesmo dentro da sala de interrogatório Amanda mantinha a voz infantil. “Coloquei ela na sala e ela começou a fazer voz de neném para mim”, contou. Foi então que Luana decidiu interromper a encenação: “Eu olhei para ela e falei assim: ‘Tá, Amanda, agora chega’.”
A reação foi imediata. Amanda abandonou a voz de criança e respondeu: “Então tá, delegada, agora é de mulher para mulher.” O episódio surpreendeu a equipe que acompanhava o interrogatório.
Durante a prisão em 2021, os policiais apreenderam uma mala cheia de bicos e mamadeiras. A investigação apontou que Amanda havia passado por pelo menos cinco cidades do Rio Grande do Sul, sempre se apresentando como adolescente em situação de vulnerabilidade.
As primeiras suspeitas surgiram quando famílias que a acolheram perceberam comportamentos estranhos. “Eles vieram falar comigo porque a então menina estava tendo comportamentos nervosos. Saíam agulhas, pregos de dentro dela”, relatou Luana.
Sem conseguir confirmar a identidade, a delegada buscou casos semelhantes na internet. “Eu joguei no Google ‘menina criança ferros no corpo’, algo assim. E aí descobri que havia dez anos acontecia isso”. A pesquisa levou a registros em outros estados e, após contato com um delegado da Bahia, foi confirmado que se tratava de Amanda.
A prisão preventiva foi solicitada após ela demonstrar comportamento agressivo na casa de uma família que a acolhia. “Ela começou a ficar agressiva com a outra criança por ciúmes”, disse a delegada. Amanda ficou seis meses presa por estelionato até ter a prisão relaxada pela Justiça.
Em depoimento, a suspeita revelou seus motivos: “Ela me confessou e argumentou que o motivo é que queria ter uma família. No depoimento dela, nunca disse que era para fazer o mal.”
Diagnosticada em 2022 com transtorno factício e pseudologia fantástica, Amanda voltou a ser presa recentemente em Santa Catarina, novamente acusada de se passar por adolescente para obter acolhimento.


