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Abstinência de álcool cresce entre jovens brasileiros

Pesquisa aponta aumento no número de pessoas que deixaram de consumir bebidas alcoólicas entre 18 e 34 anos

Por Redação* 20/05/2026 11h11
Abstinência de álcool cresce entre jovens brasileiros
Saúde mental e bem-estar estão entre os fatores ligados à redução do consumo - Foto: Assessoria

A relação dos jovens brasileiros com o consumo de álcool tem passado por mudanças nos últimos anos. Levantamento da Ipsos-Ipec, encomendado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), aponta crescimento da abstinência entre pessoas de 18 a 34 anos.

Segundo a pesquisa, entre jovens de 18 a 24 anos, a taxa de abstinência passou de 46% em 2023 para 64% em 2025. Já entre adultos de 25 a 34 anos, o percentual subiu de 47% para 61% no mesmo período.

Para o professor de Psicologia da Estácio, Zacarias Ramalho, o movimento está relacionado a mudanças culturais, emocionais e comportamentais observadas nas novas gerações.

“O aumento da abstinência de álcool entre jovens não é visto pela Psicologia como um fenômeno isolado, mas como resultado de várias mudanças culturais, cognitivas e emocionais acontecendo ao mesmo tempo”, explicou.

Entre os fatores apontados pelo especialista estão a maior preocupação com saúde mental, bem-estar e qualidade de vida, além da busca por estratégias que auxiliem na redução de sintomas de ansiedade e depressão.

As redes sociais também têm influenciado novos hábitos de consumo. Perfis como o @temgentequenaobebe ganharam visibilidade ao estimular debates sobre consumo consciente de álcool sem abordagens moralistas.

A iniciativa ganhou destaque após parcerias com o Ministério da Saúde e artistas que passaram a compartilhar experiências relacionadas à redução do consumo de bebidas alcoólicas, como o cantor João Gomes.

Em publicação no perfil, o artista comentou sobre mudanças na relação com a bebida. “É muito sobre como lidar com as emoções e sobre como as informações são passadas para a gente de forma ruim. A gente não aprende a beber”, afirmou.

Segundo Zacarias Ramalho, questionar padrões sociais ligados ao consumo pode contribuir para mudanças comportamentais mais duradouras.

“Muitas vezes, o consumo de álcool acontece dentro de relações cíclicas de continuidade. O indivíduo não desenvolve mecanismos de resiliência e mantém esse comportamento. Questionar esses ciclos é o primeiro passo para a mudança”, destacou.

O especialista também alertou para a influência de padrões estéticos e rotinas idealizadas nas redes sociais, ressaltando a importância de respeitar limites individuais.

A tendência de redução no consumo de álcool pode trazer impactos positivos para a saúde física e mental. Entre os benefícios apontados estão melhora na qualidade do sono e adoção de hábitos mais saudáveis.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que não existe nível seguro para o consumo de álcool. Em declaração publicada pela revista The Lancet Public Health, em 2023, a entidade destacou que qualquer quantidade ingerida pode causar prejuízos ao organismo, incluindo aumento do risco de câncer.

*Com informações da assessoria