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Igreja luciferiana sem alvará gera polêmica no interior do Rio de Janeiro

Templo às margens da Via Dutra, em Itatiaia, enfrenta entraves legais e decisão judicial que mantém interdição

Por Redação com g1 27/04/2026 18h06 - Atualizado em 27/04/2026 18h06
Igreja luciferiana sem alvará gera polêmica no interior do Rio de Janeiro
Terreno tem santuário dos animais que não serão sacrificados, estátuas de entidades e árvores. - Foto: Arquivo pessoal

Uma construção às margens da Via Dutra, em Itatiaia (RJ), tem chamado a atenção de motoristas e moradores. Trata-se de uma igreja luciferiana localizada no bairro Vila Esperança, que, apesar da estrutura pronta, ainda enfrenta impasses legais para funcionamento.

Fundado por Jonathan Oliveira Ribeiro, conhecido como Mestre Jonan, o espaço é apontado por ele como o primeiro templo luciferiano do Brasil. Com cerca de dez anos de atividades, o local se destaca pelas cores preta e vermelha e pela estrutura dividida entre o chamado Castelo de Quimbanda Canta Galo e a área externa onde fica a igreja, além de um santuário com animais e uma figueira.

Mesmo com a estrutura montada, o templo não possui alvará de funcionamento. Segundo o fundador, a regularização esbarra em problemas antigos na documentação do imóvel, que envolve três terrenos. Ele afirma que tenta resolver a situação desde o início das obras.

A Prefeitura de Itatiaia informou que o espaço não tem cadastro regular devido a pendências relacionadas à propriedade e à legalização do loteamento. O município destacou que qualquer construção, inclusive religiosa, precisa de aprovação prévia e autorização formal, o que não ocorreu neste caso.

Apesar disso, algumas atividades ainda são realizadas no local. De acordo com Jonan, uma decisão liminar obtida anteriormente teria permitido o funcionamento parcial, embora possa ser revista.

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), por sua vez, informou que manteve, por unanimidade, a interdição e o lacramento da edificação. A decisão foi baseada na ausência de alvará de obra e de aprovação técnica pelos órgãos competentes.

“O espaço busca regularização desde o início, mas enfrenta entraves documentais antigos”, afirmou o fundador.

No local, são realizados rituais ligados a Lúcifer, Belzebu e à deusa Astaroth. Segundo Jonan, as práticas envolvem temas como conhecimento, equilíbrio emocional e valores associados ao chamado "sagrado feminino".

“O luciferismo é uma crença baseada no equilíbrio entre opostos, com princípios como respeito, honestidade e ajuda ao próximo”, explicou.

A situação do templo segue em análise judicial e administrativa, sem previsão definitiva para regularização.