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PM é suspeito de usar IA para simular voz da ex e assassinar os pais dela

De acordo com as investigações, o principal suspeito, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, teria manipulado áudios com o uso de tecnologia para imitar a voz de Silvana e, assim, atrair os pais dela

Por Redação* 24/04/2026 10h10
PM é suspeito de usar IA para simular voz da ex e assassinar os pais dela
Cristiano Domingues Francisco, suspeito no desaparecimento da família Aguiar - Foto: Renan Mattos / Agencia RBS

Um policial militar é suspeito de utilizar inteligência artificial para simular a voz da ex-companheira, Silvana de Aguiar, em um caso que envolve o assassinato de três integrantes de uma mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

De acordo com as investigações, o principal suspeito, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, teria manipulado áudios com o uso de tecnologia para imitar a voz de Silvana e, assim, atrair os pais dela. A polícia aponta que o casal foi morto após atender a um falso pedido de ajuda. À época dos contatos, Silvana já estava desaparecida.

Ferramentas especializadas em detecção de deepfake, como Hiya Deepfake Voice Detector e Undetectable AI, indicaram alta probabilidade de que os áudios tenham sido gerados por inteligência artificial, reforçando as conclusões da investigação.

Silvana, de 48 anos, e seus pais, Isail de Aguiar, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro. Um dia após o desaparecimento da mulher, os pais receberam uma ligação do celular dela informando sobre um suposto acidente em Gramado. No entanto, dados da investigação indicam que, naquele momento, tanto o aparelho de Silvana quanto o do suspeito estavam na região de Gravataí.

Também foi identificada uma postagem feita a partir do celular da vítima relatando o acidente. O inquérito aponta, porém, que o dispositivo estava localizado na residência do suspeito no momento da publicação.

As mensagens analisadas mostram tentativas de convencer os pais a irem até determinado local, sob o pretexto de ajudar em um problema doméstico. A estratégia, segundo a polícia, foi determinante para atrair as vítimas.

Ao todo, seis pessoas foram indiciadas por envolvimento no caso, que abrange nove crimes. Cristiano foi acusado de feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa.

A atual esposa do suspeito, Milena Ruppenthal Domingues, também foi indiciada por crimes como ocultação de cadáver, furto qualificado, falso testemunho, fraude processual e associação criminosa.

O caso segue sob investigação e chama atenção pelo uso de tecnologia para a prática de crimes, ampliando o debate sobre os riscos associados à manipulação de voz por inteligência artificial.

*Com informações do G1