Nacional
Eduardo e Michelle Bolsonaro entram em rota de colisão e expõem racha na direita
Disputa por protagonismo no bolsonarismo escancara fissuras e provoca reação de Nikolas Ferreira
A direita brasileira, até então acostumada a resolver divergências nos bastidores, assistiu nos últimos dias a um confronto aberto entre dois dos principais nomes do bolsonarismo: Eduardo Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. O embate, que começou no último final de semanda com críticas públicas do ex-deputado federal ao que chamou de “falta de posicionamento claro” em apoio a Flávio Bolsonaro, rapidamente ganhou contornos de disputa por espaço político.
Eduardo cobrou manifestações mais firmes em defesa da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. Sem citar diretamente Michelle em todos os momentos, deixou claro o desconforto com a aproximação dela com o deputado Nikolas Ferreira, vista por aliados como movimento paralelo dentro do campo conservador.
A resposta veio em tom igualmente direto. Nikolas rejeitou a acusação de omissão e afirmou que não sofre de “amnésia”, como sugerido por Eduardo. Disse que o foco deve estar na defesa do legado do ex-presidente e na construção de um projeto nacional, e não em disputas internas. Michelle, por sua vez, fez publicações nas redes sociais interpretadas como indiretas ao deputado, o que ampliou a repercussão.
“Eu acho que o Eduardo não está bem e faço questão de não perder meu tempo com essas divergências porque eu acredito que a gente tem um Brasil pra salvar”, acrescentou. Nikolas saiu em defesa de Michelle, pedindo que Eduardo deixe ela “viver o calvário dela”. “Ela [Michelle] acima de tudo é uma esposa, é uma mãe que tem que cuidar de uma filha, que está vindo aqui, preparando alimento todos os dias para o marido dela de 70 anos que está preso injustamente”.
O episódio expõe algo maior do que um simples desentendimento familiar ou partidário. Revela uma disputa pelo espólio político do bolsonarismo, em um momento em que o campo conservador busca reorganização para 2026. A pergunta que emerge é objetiva: quem fala em nome da direita hoje?
Ato
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou a criticar publicamente, nessa segunda-feira (23), o deputado Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após a convocação do ato “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, marcado para 1º de março. Segundo Eduardo, a mobilização carece de foco em pautas que considera prioritárias, como a anistia aos presos pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, e deveria concentrar esforços nesse tema.
Para além das redes sociais, o impacto é estratégico. A fragmentação enfraquece a narrativa de unidade construída nos últimos anos e abre espaço para rearranjos internos e externos. Em política, divergências são naturais. Torná-las públicas, no entanto, tem custo — sobretudo quando envolvem os principais rostos do movimento.
O racha está posto. Resta saber se será administrado ou se evoluirá para uma divisão mais profunda na direita nacional.


