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Corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados 30 anos após tragédia

A proposta do memorial segue um conceito de homenagem póstuma que alia memória e sustentabilidade

Por Redação* 23/02/2026 11h11
Corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados 30 anos após tragédia
Mamonas Assassinas - Foto: Reprodução

Trinta anos após o acidente aéreo que interrompeu a trajetória da banda Mamonas Assassinas, os corpos de Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli serão exumados. O procedimento está marcado para esta segunda-feira (23/2) e atende a um projeto idealizado por familiares: a cremação dos restos mortais para a criação do Jardim BioParque Memorial Mamonas.

O espaço será implantado no Cemitério Primaveras, em Guarulhos (SP), onde os músicos estão sepultados. Também foi enterrado no local o segurança da banda, Sérgio Saturnino Porto, outra vítima do acidente ocorrido em 1996. Até o momento, não há confirmação sobre eventual exumação dos restos mortais dele.

A proposta do memorial segue um conceito de homenagem póstuma que alia memória e sustentabilidade. As cinzas resultantes da cremação serão utilizadas no plantio de espécies nativas, formando um jardim permanente em tributo ao grupo. O espaço pretende funcionar como área de contemplação e lembrança, além de abrir a possibilidade para que moradores do município também plantem árvores com as cinzas de seus familiares.

A tragédia de 1996


O acidente aconteceu em 2 de março de 1996, na Serra da Cantareira, na Grande São Paulo, quando o avião que transportava a banda caiu durante a tentativa de pouso. O caso marcou profundamente o país, no auge da popularidade do grupo.

O fotógrafo Fernando Cavalcanti foi um dos primeiros profissionais da imprensa a chegar ao local. Em relato publicado pelo jornal El País em 2018, ele descreveu os bastidores da cobertura e o impacto emocional de registrar a cena ainda durante a madrugada, em meio à mata fechada e aos destroços da aeronave.

Segundo o fotógrafo, as buscas oficiais haviam sido suspensas momentaneamente quando ele seguiu, por conta própria, a trilha aberta pelas equipes de resgate. Com apenas um filme de 36 poses na câmera, documentou o cenário do acidente, imagens que se tornariam algumas das mais marcantes de sua carreira.

Três décadas depois, a memória da banda segue mobilizando fãs e familiares, agora por meio de um memorial que busca transformar luto em legado ambiental e simbólico.

*Com informações do Metrópoles