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Zuckerberg enfrenta julgamento histórico sobre vício em redes sociais

CEO da Meta depõe em Los Angeles em ação que acusa plataformas de estimular dependência em crianças e adolescentes

Por Redação* 19/02/2026 09h09
Zuckerberg enfrenta julgamento histórico sobre vício em redes sociais
Ação pode criar precedente global na responsabilização de plataformas digitais - Foto: Reprodução

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, prestou depoimento nesta quarta-feira (18) no tribunal de Los Angeles, nos Estados Unidos, em um julgamento considerado histórico sobre o suposto vício de crianças e adolescentes em redes sociais. Pela primeira vez, o executivo responde na Justiça a acusações de que plataformas digitais teriam sido projetadas para induzir dependência entre usuários.

A ação envolve, além da Meta, as empresas Snapchat, TikTok e YouTube. Elas são acusadas por uma jovem de 20 anos, identificada como K.G.M., que afirma ter desenvolvido ansiedade, depressão e problemas de autoimagem após criar sua primeira conta em redes sociais aos 8 anos de idade.

Durante o depoimento, Zuckerberg foi questionado se sua empresa teria projetado intencionalmente plataformas para viciar usuários. Segundo a CNN americana, o executivo não respondeu sobre qual seria sua mensagem aos pais que alegam que seus filhos foram prejudicados pelo uso das redes sociais.

O CEO também foi indagado sobre o acesso de crianças menores de 13 anos ao Instagram, plataforma que estabelece essa idade mínima para cadastro. Em resposta, Zuckerberg afirmou que os menores “não têm permissão para usar o Instagram”.

Possíveis impactos


Caso as empresas sejam condenadas, o julgamento pode abrir um precedente relevante na responsabilização de plataformas de tecnologia em nível global. Nos Estados Unidos, milhares de ações semelhantes já foram protocoladas por indivíduos, distritos escolares e procuradores-gerais estaduais.

O principal argumento dos autores das ações é de que as redes sociais teriam sido desenvolvidas para causar dependência, em comparação a produtos como cigarros ou máquinas caça-níqueis de cassino. “Este caso é tão simples quanto ABC”, afirmou Mark Lanier, um dos advogados. “Eles não criaram apenas aplicativos, criaram armadilhas. Não queriam usuários, queriam viciados.”

Os processos têm sido comparados às ações movidas contra grandes empresas de tabaco na década de 1990, acusadas de esconder informações sobre os danos causados pelo cigarro.

Em defesa, as companhias alegam não haver evidências científicas que comprovem dependência causada pelas plataformas. Também sustentam que uma lei americana de proteção à liberdade de expressão as isenta de responsabilidade pelo conteúdo publicado por usuários. Snapchat e TikTok informaram que firmaram acordo para encerrar as acusações. O julgamento deve se estender por algumas semanas.

*Com informações do Estadão Conteúdo