Agro
Resistência a fungicidas preocupa produtores de milho
Especialistas alertam que repetição do mesmo modo de ação reduz a eficiência e eleva custos no campo
A antracnose do milho, causada pelo fungo Colletotrichum graminicola, é um velho desafio nas lavouras brasileiras. O alerta atual, porém, vai além da doença em si. Com o aumento da área cultivada e a intensificação do sistema produtivo, cresce também a dependência de aplicações sucessivas de fungicidas — cenário que amplia o risco de resistência e encarece o manejo.
Na prática, a resistência é um processo de seleção natural. A cada pulverização com o mesmo modo de ação, os indivíduos mais sensíveis são eliminados, enquanto os mais tolerantes sobrevivem e se multiplicam. O primeiro sinal costuma ser discreto: áreas que antes respondiam bem passam a exigir reaplicações, misturas adicionais e intervalos mais curtos. Quando isso ocorre, o custo já começou a subir.
A Embrapa reforça que o controle não começa no pulverizador. Em publicação técnica, a instituição destaca que a principal estratégia contra a antracnose é o uso de cultivares com resistência genética. Essa abordagem reduz a pressão do patógeno desde o início do ciclo e diminui a necessidade de intervenções químicas repetidas — justamente o ambiente que favorece a seleção de populações resistentes.
O manejo integrado também inclui rotação de culturas, destruição adequada de restos culturais e práticas que impeçam a sobrevivência do fungo entre safras. Essas medidas reduzem a “carga” do patógeno na área e tornam o sistema mais equilibrado.
Quando a aplicação de fungicidas é necessária, o planejamento é decisivo. Alternar modos de ação e utilizar misturas com parceiros efetivamente eficientes são estratégias centrais para reduzir a pressão de seleção. Repetir sucessivamente o mesmo grupo químico — o chamado “mesmo motor” — aumenta significativamente o risco de perda de eficiência.
Em anos de alta umidade e forte pressão de doença, é comum que produtores associem menos aplicações a perdas de produtividade. O desafio está em substituir a lógica do “mais do mesmo” por um programa melhor estruturado. Isso envolve monitoramento constante, integração entre genética e práticas culturais e alternância real de mecanismos de ação.
A antracnose pode ser controlada. Mas a eficiência das ferramentas disponíveis não é permanente. O uso repetitivo e sem rotação compromete a durabilidade das moléculas, eleva custos e coloca o sistema produtivo em risco. Em um cenário de expansão e intensificação do milho, preservar a eficácia dos fungicidas é uma estratégia econômica e agronômica.
*Com informações do AgroLink


