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Levantamento aponta 173 vítimas de deepfakes sexuais em escolas brasileiras

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10), em São Paulo, durante evento em celebração ao Dia da Internet Segura.

Por Agência Brasil com Redação 10/02/2026 16h04
Levantamento aponta 173 vítimas de deepfakes sexuais em escolas brasileiras

Mapeamento realizado pela organização SaferNet Brasil identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino públicas e privadas de dez estados brasileiros.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10), em São Paulo, durante evento em celebração ao Dia da Internet Segura.

Segundo a SaferNet, as deepfakes sexuais consistem em imagens ou vídeos de nudez criados com inteligência artificial (IA) generativa, sem o consentimento das pessoas retratadas. A tecnologia é empregada para manipular o rosto das vítimas em conteúdos falsos, caracterizando violação de privacidade e da dignidade humana.

O relatório completo será lançado em março. O estudo teve início em 2023, com base no monitoramento de notícias, e conta com recursos do fundo SafeOnline, gerido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A organização também aponta que as denúncias de crimes cibernéticos cresceram 28% em 2025.

Perfil das vítimas

De acordo com a pesquisadora da SaferNet Brasil, Sofia Schuring, todas as vítimas identificadas são mulheres, incluindo alunas e professoras. O estado de São Paulo lidera o número de ocorrências, com 51 vítimas, seguido por Mato Grosso (30), Pernambuco (30) e Rio de Janeiro (20). O levantamento também identificou 60 autores desses crimes.

Central de Denúncias

Além do mapeamento por notícias, a SaferNet mantém a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Desde 2023, o canal recebeu 264 links (URLs) relacionados a esse tipo de crime.

"Analisamos 264 links reportados que podiam ter vínculo com o compartilhamento de deepfakes sexuais não consentidos e de materiais artificiais de abuso sexual infantil. Desses, 125 continham imagens reais de abuso sexual infantil", afirmou Sofia Schuring.

A pesquisadora explicou que 8% do total das URLs continham conteúdo artificial de abuso e exploração sexual infantil. “Esses links hospedavam conteúdos, eram ferramentas de criação ou grupos de disseminação”, completou.

A central também registrou dez casos de deepfakes envolvendo adultos e 20 casos de vazamento de imagens íntimas reais (sem uso de IA).

Atuação criminosa

Segundo a SaferNet, os grupos que compartilham esses conteúdos atuam de forma organizada, baseando-se em três pilares: bots de notificação (que enviam alertas automatizados), plataformas de mensagens como o Telegram e fóruns na dark web.

“Eles se apoiam em falhas de governança tanto das plataformas quanto do nosso sistema de fiscalização desses conteúdos”, explicou Sofia.

Diante desse cenário, a organização defende o banimento das ferramentas de notificação e a “asfixia financeira” dessas redes criminosas.

Como denunciar

Para denunciar crimes cibernéticos, acesse a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet.

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