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Do Entrudo aos desfiles: a história do Carnaval no Brasil

Festa de origem europeia ganhou características próprias no país e hoje é reconhecida como patrimônio cultural imaterial

Por Redação* 10/02/2026 10h10 - Atualizado em 10/02/2026 10h10
Do Entrudo aos desfiles: a história do Carnaval no Brasil
Carnaval no Brasil teve início no período colonial e ganhou identidade própria ao longo dos séculos - Foto: Reprodução/ Ilustração

Embora seja considerado uma das maiores expressões culturais do Brasil, o Carnaval não teve origem no país. A festa chegou ao território brasileiro no século XVII, trazida pelos colonizadores portugueses, inicialmente na cidade do Rio de Janeiro, e ganhou contornos próprios ao longo dos séculos.

Antes de desembarcar no Brasil, o Carnaval já existia na Europa e tem raízes ainda mais antigas, anteriores ao Cristianismo. Historiadores associam a festividade a celebrações de povos como mesopotâmicos, gregos e romanos, que promoviam rituais marcados pela inversão temporária da ordem social, conhecida como o conceito do “mundo de cabeça para baixo”.

Entre essas tradições, destacava-se o culto a Dionísio — ou Baco, na mitologia romana — deus do vinho, das festas, da alegria e do teatro. Com o avanço do Cristianismo, durante a transição da Idade Média para a Idade Moderna, o Carnaval passou a simbolizar o período que antecede a Quaresma, fase de penitência e preparação para a Páscoa no calendário cristão.

Na Europa, manifestações como o Entrudo Português e os bailes de máscaras italianos marcaram a consolidação da festa. O Entrudo, em especial, envolvia brincadeiras populares que incluíam o arremesso de água, ovos, farinha e até frutas estragadas.

No Brasil colonial, o Carnaval ganhou forte participação popular, sobretudo de pessoas negras escravizadas. Enquanto isso, famílias brancas mantinham celebrações privadas e práticas como jogar água das janelas sobre quem festejava nas ruas.

Com o passar do tempo, especialmente no século XIX, as elites passaram a organizar bailes de máscaras inspirados na aristocracia europeia. A criação das sociedades carnavalescas contribuiu para levar novamente a festa às ruas, ampliando a participação popular.

Aos poucos, o Carnaval passou a ser marcado por desfiles acompanhados por marchinhas e, mais tarde, pelo samba e ritmos derivados. O formato atual, com competições entre escolas de samba e blocos de rua, é relativamente recente. O Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, por exemplo, foi inaugurado apenas em 1984.

Apesar disso, a dimensão cultural e econômica da festa é expressiva. Em 2024, estima-se que o Carnaval tenha movimentado cerca de R$ 900 mil e atraído mais de 200 mil turistas ao país, segundo dados da Embratur. Desde 2005, a celebração é reconhecida pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial da humanidade.

*Com informações da CNN Brasil