Nacional
Banco Master é acusado de descontar ilegalmente R$ 92 milhões de benefícios
Representantes do governo federal, Congresso e Judiciário buscam um acordo para administrar as crises simultâneas provocadas pelas apurações sobre o banco
O vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), confirmou, no retorno dos trabalhos do colegiado, que as investigações sobre o envolvimento do Banco Master em fraudes previdenciárias serão aprofundadas.
Duarte Jr. também declarou ser favorável à criação de uma nova CPMI dedicada exclusivamente às fraudes atribuídas ao banco. Enquanto isso, representantes do governo federal, Congresso e Judiciário buscam um acordo para administrar as crises simultâneas provocadas pelas apurações sobre o Banco Master, segundo noticiado pela imprensa nesta semana.
"Não vejo nenhum tipo de prejuízo em ter uma nova CPI ou uma nova CPMI para tratar especificamente, de forma detalhada, das fraudes e ilegalidades do Banco Master. No nosso caso, podemos avançar estritamente sobre essas fraudes relacionadas aos descontos previdenciários", afirmou em entrevista à Rádio Câmara.
Segundo o deputado, há indícios de que o Banco Master descontou, de forma fraudulenta, mais de R$ 92 milhões de benefícios de aposentados e pensionistas. "Ou seja, utilizando dinheiro da Previdência, dinheiro de aposentados e pensionistas para realizar investimentos sem qualquer autorização, colocando em risco os recursos, que já são escassos, desses consumidores em situação de vulnerabilidade", destacou.
Sobre o depoimento do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, inicialmente agendado para esta quinta-feira e adiado para 26 de fevereiro a pedido da defesa, Duarte Jr. afirmou não ver prejuízo com a postergação.
"Pelo contrário, é preferível buscar uma composição, permitir que ele compareça, fale e colabore, se assim entender, do que provocar a tentativa de ingresso com um habeas corpus para impedir seu comparecimento à comissão. Isso seria uma distorção do instrumento, mas infelizmente é algo que temos visto se repetir em casos recentes", avaliou.
'Avanços inéditos em pouco tempo'
Duarte Jr. ressaltou que, em pouco mais de três meses de funcionamento, a CPMI contribuiu para a prisão de mais de 20 pessoas envolvidas no esquema, incluindo um ex-ministro da Previdência, procuradores federais e parlamentares. Entre os alvos, deputados estaduais e senadores foram submetidos a operações de busca e apreensão em gabinetes, escritórios e residências.
"O que a gente tem é uma constatação positiva. Eu não me recordo de uma CPMI que tenha conseguido avançar tanto e entregar tantos resultados efetivos à sociedade brasileira como a CPMI do INSS", avaliou.
O vice-presidente da comissão explicou ainda que, diante do avanço das apurações, os deputados apresentaram requerimento para prorrogar os trabalhos da CPMI por pelo menos mais 60 dias. Embora o relatório final esteja previsto para março, a extensão do prazo é considerada fundamental para aprofundar a segunda fase das investigações, que envolve diretamente instituições financeiras.
Por Sputnik Brasil


