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Banco Master: Veja o que foi apreendido durante operação contra diretores do Rioprevidência
Polícia Federal investiga aplicação de quase R$ 1 bilhão do fundo de aposentadorias do RJ em títulos do banco em liquidação
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (data) a Operação Barco de Papel, que resultou na apreensão de veículos de luxo, dinheiro em espécie, eletrônicos e documentos no âmbito das investigações sobre investimentos do Rioprevidência no Banco Master. A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, com diligências na sede da autarquia, no Centro, e em imóveis localizados em Botafogo, Gávea e Urca, na Zona Sul.
O principal alvo é o diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, que, segundo apuração, está fora do país desde o último dia 15, em viagem aos Estados Unidos. Também são investigados o diretor de Investimentos, Eucherio Lerner Rodrigues, e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal. O Rioprevidência é responsável pela gestão das aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores estaduais.
O que foi apreendido
De acordo com o balanço divulgado pela Polícia Federal, os agentes recolheram arquivos digitais, documentos e bens de alto valor econômico em diferentes endereços.
Na sede do Rioprevidência, foram apreendidos arquivos digitais e documentos diversos.
Na residência de Deivis Marcon Antunes, em Botafogo, a PF encontrou:
- um veículo de luxo blindado;
- cerca de R$ 7 mil em espécie;
- um pen drive;
- um relógio;
- documentos diversos.
Em um imóvel na Gávea, foram apreendidos:
- um veículo de luxo;
- aproximadamente R$ 3,5 mil em espécie;
- um celular e um notebook;
- pen drives e HDs;
- documentos.
Já em uma residência na Urca, os agentes recolheram:
- um celular e um notebook;
- documentos diversos.
Investigação apura aplicações de R$ 970 milhões
A investigação foi aberta em novembro de 2025 e apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Segundo a PF, entre outubro de 2023 e agosto de 2024, o fundo investiu recursos em títulos com vencimento em 2033 e 2034, modalidade de renda fixa usada por bancos para captação de recursos de longo prazo. O principal risco desse tipo de investimento é a quebra da instituição emissora, o que pode comprometer o resgate dos valores — no caso, recursos destinados ao pagamento de aposentadorias de servidores que ingressaram no serviço público na última década.
A operação contou com apoio da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social (SPREV/MPS), que elaborou um relatório de auditoria fiscal considerado decisivo para o avanço da apuração. São investigados possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução da administração pública a erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
TCE apontou coincidência entre nomeações e investimentos
A ofensiva da PF ocorre três meses após o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apontar uma “notável coincidência” entre a troca da cúpula do Rioprevidência e o início das aplicações no Banco Master. Entre julho e outubro de 2023, foram nomeados Deivis Antunes, Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal. Pouco depois, em novembro, tiveram início os aportes no banco.
Segundo o TCE, a nomeação de Eucherio Lerner foi publicada no Diário Oficial em 4 de outubro de 2023, mesma data em que o Banco Master teria solicitado credenciamento junto ao Rioprevidência. O processo interno foi aberto no mesmo dia e avançou rapidamente: 12 dias depois, Pedro Leal informou que o banco atendia aos requisitos técnicos, e em 19 de outubro Antunes autorizou o credenciamento — trâmite considerado acelerado e com aparentes irregularidades pelo tribunal.
O governo do estado afirma ter aplicado R$ 960 milhões em letras financeiras do Banco Master. Já o TCE inclui investimentos em fundos administrados pelo banco e por sua corretora, elevando o montante para R$ 2,6 bilhões, parte deles sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O governo sustenta que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido.
Em ofício enviado ao TCE, Deivis Antunes afirmou que o credenciamento do banco teria começado no início de 2023 e sido concluído em outubro, destacando uma relação “longa e adimplente” entre o Banco Master e o estado.
Crise do Banco Master
O Banco Master entrou em crise após o avanço de investigações, culminando na prisão do controlador Daniel Vorcaro e na decretação de liquidação extrajudicial pelo Banco Central, em novembro de 2025. A instituição é investigada por suspeitas de gestão fraudulenta, criação de carteiras de crédito falsas, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
O caso ganhou grande repercussão no Rio de Janeiro porque o Rioprevidência investiu cerca de R$ 1 bilhão no banco mesmo após alertas técnicos do TCE sobre os riscos elevados, incluindo aplicações realizadas quando a crise da instituição já era amplamente divulgada.



