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Rubens Paiva, Vladimir Herzorg e mais vítimas do regime militar têm certidões de óbito corrigidas
Documentos foram entregues às famílias na quarta (08), na faculdade de Direito da USP
Mais de cem famílias de vítimas do regime militar brasileiro, iniciado após o golpe de 1964, receberam na última quarta-feira (8), as certidões de óbito corrigidas, atestando a violência e morte cometidas pela ditadura militar. A entrega aconteceu na faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Do total, 63 foram efetivamente entregues a familiares que compareceram ao evento, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Familiares de vítimas que já haviam sido contempladas, como os parentes de Rubens Paiva - cuja história relatada por seu filho, Marcelo Rubens Paiva, originou o longa vencedor do Oscar, “Ainda Estou Aqui” -, e do jornalista Vladimir Herzog, também compareceram ao evento.
Em janeiro, Rubens Paiva teve a certidão corrigida pata atestar a morte violenta sofrida nas mãos do regime militar. Em 1996, Eunice Paiva, viúva do deputado, conseguiu na Justiça o reconhecimento de seu assassinato em 1971, ano em que foi levado e desapareceu.
Já Vladimir Herzorg foi morto em 1975 nas dependências do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações —Centro de Operações de Defesa Interna) do II Exército. Até 2013, sua morte era tida como suicídio por enforcamento, versão contada por militares e desmentida por meio de depoimentos de médicos e testemunhas.
O novo modelo de certidão, além de atestar a verdadeira natureza dos assassinatos destas vítimas, preserva a memória do acontecido e a verdade do que ocorreu no período da ditadura militar no Brasil. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, 434 pessoas foram vítimas do Estado no período de 1946 a 1988, mas historiadores alegam que o dado não contempla o número real de vítimas, visto que mais de 8000 indígenas desapareceram no período.
No local, familiares e convidados falaram sobre a necessidade da reparação da verdade. Eles fizeram paralelo entre a ditadura de 1964 e a tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com pedidos contrários a uma possível anistia dada aos condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Confira a lista de famílias contempladas:
1. Alexander José Ibsen Voerões
2. Alexandre Vannucchi Leme
3. Ana Maria Nacinovic
4. Ana Rosa Kucinski Silva
5. André Grabois
6. Antônio Benetazzo
7. Ângelo Arroyo
8. Antônio dos Três Reis de Oliveira
9. Antônio Guilherme Ribeiro Ribas
10. Antônio Raymundo de Lucena
11. Aurora Maria Nascimento Furtado
12. Aylton Adalberto Mortati
13. Carlos Roberto Zanirato
14. Carlos Marighella
15. Catarina Helena Abi-Eçab
16. Devanir José de Carvalho
17. Eduardo Collen Leite
18. Eremias Delizoicov
19. Feliciano Eugenio Neto
20. Flavio Carvalho Molina
21. Francisco Emanuel Penteado
22. Francisco Seiko Okama
23. Frederico Eduardo Mayr
24. Grenaldo de Jesus Silva
25. Helenira Resende de Souza Nazareth
26. Heleny Ferreira Telles Guariba
27. Hirohaki Torigoe
28. Iara Iavelberg
29. Issami Nakamura Okano
30. Izis Dias de Oliveira
31. Jaime Petit da Silva
32. João Antônio Santos Abi-Eçab
33. João Carlos Cavalcanti Reis
34. João Domingos da Silva
35. Joaquim Câmara Ferreira
36. José Maria Ferreira de Araújo
37. José Maximino de Andrade Netto
38. José Wilson Lessa Sabbag
39. Lauriberto José Reyes
40. Lúcio Petit da Silva
41. Luisa Augusta Garlippe
42. Luiz Eduardo da Rocha Merlino
43. Luiz Eurico Tejera Lisbôa
44. Luiz Fogaça Balboni
45. Manoel José Nurchis
46. Marco Antônio Dias Baptista
47. Maria Augusta Thomaz
48. Maria Lúcia Petit da Silva
49. Miguel Pereira dos Santos
50. Nestor Vera
51. Norberto Nehring
52. Onofre Pinto
53. Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar
54. Ronaldo Mouth Queiroz
55. Rubens Beyrodt Paiva
56. Rui Osvaldo Aguiar Pfützenreuter
57. Ruy Carlos Vieira Berbert
58. Santo Dias da Silva
59. Sônia Maria de Moraes Angel Jones
60. Virgílio Gomes da Silva
61. Vladimir Herzog
62. Walter de Souza Ribeiro
63. Wilson Silva


