Ciência, tecnologia e inovação

Rússia está desenvolvendo vacina para tratamento contra o câncer

Especialistas pedem cautela, pois não há consolidação de resultados até o momento

Por Redação com ÉPOCA 16/05/2026 16h04
Rússia está desenvolvendo vacina para tratamento contra o câncer
Ilustração - Foto: Freepik

A possível vacina contra o câncer desenvolvida por pesquisadores russos tem gerado expectativa, mas especialistas defendem cautela diante da ausência de informações detalhadas sobre o desenvolvimento e os testes realizados até agora.

Segundo o site sérvio NIN, a vacina chamada Enteromix foi criada pelo Instituto Gamaleya, responsável também pela vacina Sputnik V contra a Covid-19. Apesar de ser chamada de “vacina”, o tratamento não tem caráter preventivo. A tecnologia utiliza mRNA para estimular o sistema imunológico de pacientes que já possuem câncer.

De acordo com especialistas, esse tipo de terapia é personalizada e precisa ser produzida individualmente para cada paciente, com base nas características específicas do tumor.

O primeiro tipo de câncer tratado pela vacina russa será o melanoma. A primeira paciente prevista para receber a terapia é uma mulher da Sérvia chamada Jovana, que deve iniciar o tratamento nos próximos meses.

A principal preocupação da comunidade científica envolve a falta de publicações em revistas científicas reconhecidas e a ausência de informações claras sobre as fases obrigatórias de ensaios clínicos.

Autoridades russas afirmam que os testes em animais apresentaram resultados positivos, mas os dados completos ainda não foram disponibilizados para análise independente.

Segundo o professor Vladimir Jakovljević, integrante da equipe que trabalha com terapias personalizadas em Moscou, a vacina passou pelos procedimentos exigidos pelas normas russas e agora entra em fase de aplicação em pacientes oncológicos.

Ele destacou, porém, que ainda não existem resultados consolidados em um grande número de pacientes.

“Não quero dar falsas esperanças às pessoas. Simplesmente precisamos esperar para ver”, afirmou o especialista.

A imunologista Emina Milošević também ressaltou que vacinas personalizadas contra o câncer já vêm sendo estudadas em outros países e citou a BioNTech como uma das empresas que desenvolvem pesquisas semelhantes.

Segundo ela, o princípio da terapia é identificar os antígenos específicos do tumor de cada paciente e produzir uma resposta imunológica direcionada.

A especialista reforçou que ainda não está claro se o projeto russo permanece em fase experimental ou se caminha para um uso mais amplo.

Para os cientistas, o avanço pode representar uma nova possibilidade no tratamento do câncer, mas ainda depende de validação científica, publicação de resultados e confirmação de segurança e eficácia em testes clínicos mais amplos.