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Barroso reage aos ataques de Bolsonaro: "É muito triste o ponto a que chegamos".
O presidente do TSE fez uma série de declarações durante a abertura da sessão do tribunal hoje (9)
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, em resposta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fez uma série de declarações nesta quinta-feira (9).
Em afirmação feita durante a abertura da sessão do TSE ministro disse que faz isso em nome "dos milhares de juízes e servidores que servem ao Brasil com patriotismo – não o da retórica de palanque, mas o do trabalho duro e dedicado –, e que não devem ficar indefesos diante da linguagem abusiva e da mentira".
"Já começa a ficar cansativo, no Brasil, ter que repetidamente desmentir falsidades, para que não sejamos dominados pela pós-verdade, pelos fatos alternativos, para que a repetição da mentira não crie a impressão de que ela se tornou verdade. É muito triste o ponto a que chegamos.", lamenta Barroso.
O presidente do TSE mantém o tom crítico e diz que Bolsonaro usa a mentira e da ofensa para atacar seus inimigos políticos.
"Insulto não é argumento. Ofensa não é coragem. A incivilidade é uma derrota do espírito. A falta de compostura nos envergonha perante o mundo.", se referindo ao presidente do Executivo.
Barroso também lamenta o "status" de pária do Brasil: "A marca Brasil sofre neste momento, triste dizer isso, uma desvalorização global. Não é só o real que está desvalorizando. Somos vítima de chacota e de desprezo mundial. Um desprestígio maior do que a inflação, do que o desemprego, do que a queda de renda, do que a alta do dólar, do que a queda da bolsa, do que desmatamento da Amazônia, do número de mortos pela pandemia, do que a fuga de cérebros e de investimentos.", finaliza.
O ministro também comentou que a democracia no mundo vive um "momento delicado", relembrando paises que tiveram suas democracias atacadas.
“A democracia vive um momento delicado em diferentes partes do mundo, em um processo que tem sido batizado como recessão democrática, retrocesso democrático, constitucionalismo abusivo, democracias iliberais ou legalismo autocrático”, comenta Barroso, citando países como Polônia, Turquia, Rússia, Geórgia, Ucrânia, Filipinas e Venezuela entre outros que tiveram sua democracia posta em teste.


