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Bispos chegam a Maceió para cobrar reparação às vítimas da Braskem
Programação inclui visitas a bairros afetados pelo afundamento do solo, escuta de moradores e audiência pública
Uma comitiva da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está em Maceió para acompanhar de perto os impactos do desastre socioambiental provocado pela mineração da Braskem. A programação inclui visitas a comunidades atingidas pelo afundamento do solo, escuta de moradores e uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Alagoas, marcada para esta quinta-feira (5).
A iniciativa faz parte da Caravana pela Ecologia Integral: Igreja e comunidades em diálogo sobre os impactos da mineração no Regional Nordeste 2. As atividades seguem até o dia 5 de novembro e buscam ouvir as reivindicações das populações afetadas, além de discutir caminhos para a garantia de direitos e a reparação integral.
Nesta quarta-feira (4), os representantes visitarão o Bom Parto, a Igreja Batista do Pinheiro e os Flexais, territórios marcados pelos efeitos do afundamento do solo e pelo deslocamento de famílias.
À tarde, das 14h às 17h, será realizado o encontro de escuta “Território, Memória, Direitos e Reparação”, no Novo Juvenópolis. A programação também prevê uma Celebração Eucarística, às 19h30, na Matriz provisória de Santo Antônio de Pádua, em Bebedouro.
Entre os participantes estão Dom Vicente Ferreira, presidente da Comissão Especial para Ecologia Integral e Mineração (CEEM) da CNBB; Dom Beto Breis, arcebispo de Maceió; Dom Limacêdo Antônio da Silva, bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira (PE); e Dom Gabriel Marchesi, bispo da Diocese de Floresta (PE).
A caravana também reúne representantes da Rede Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2, das Cáritas de Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), além de movimentos sociais, organizações locais e lideranças comunitárias.
A visita é vista por representantes das comunidades como uma oportunidade para apresentar reivindicações relacionadas à permanência e à realocação de moradores dos territórios afetados.
Segundo Maurício Sarmento, integrante do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), a presença da comitiva pode ajudar a ampliar o debate sobre a situação dos Flexais.
“Vamos acompanhar essa caravana da CNBB e cobrar a revisão dos acordos, que até agora só beneficiaram a criminosa Braskem”, comentou Sarmento.
Moradores da região também pretendem solicitar apoio para a realocação de famílias que desejam deixar os Flexais e relatam dificuldades relacionadas ao isolamento social. O vendedor ambulante Valdemir Alves está entre os moradores que aguardam a visita.
A pesquisadora Rikartiany Teles Cardoso, integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) em Alagoas, também confirmou a participação da organização nas atividades.
“Vamos participar da programação e acompanhar tudo de perto”, afirmou.
Na quinta-feira (5), às 9h, a comitiva participará de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Alagoas. O encontro deverá reunir as demandas das comunidades atingidas e discutir medidas para assegurar direitos e avançar na reparação dos danos.
A expectativa é que a audiência resulte em propostas e na elaboração de um documento com compromissos públicos relacionados ao caso.
Segundo o arcebispo Dom Beto Breis, a iniciativa pretende fortalecer o diálogo entre a Igreja e as comunidades afetadas.
“A Caravana pela Ecologia Integral chega a Maceió para fortalecer o diálogo entre a Igreja Católica e as comunidades atingidas pelo crime socioambiental da Braskem, reafirmando a importância da luta pela garantia de direitos e pela reparação integral”, destacou.
Ele também explicou que a programação tem como eixos o conhecimento dos territórios e a escuta das histórias e reivindicações dos moradores.
“Ao final, a audiência pública será um espaço de incidência e compromisso coletivo diante desse crime socioambiental, que não afeta apenas as famílias diretamente atingidas, mas compromete todo um território, suas relações comunitárias e o direito à vida digna”, acrescentou.
Outro tema relacionado à mineração em Alagoas que poderá entrar nas discussões é a antiga participação de uma entidade ligada à Igreja Católica na extração de areia na Praia do Francês, em Marechal Deodoro.
Até 2024, a Fundação Leobino e Adelaide Motta, vinculada à Arquidiocese de Maceió, mantinha uma parceria com a empresa Mandacaru Extração de Areia e Comércio de Materiais de Construção em Geral. A areia era comercializada com a Braskem e utilizada no tamponamento de minas desativadas de sal-gema.
Conforme o relato apresentado sobre o caso, a atividade foi suspensa após determinação do Ministério Público Federal (MPF), que identificou indícios de irregularidades. Posteriormente, Dom Beto Breis determinou o cancelamento do contrato com a empresa parceira.
O arcebispo também solicitou ao Ministério Público de Alagoas (MPAL) a apuração de denúncias relacionadas à gestão dos recursos arrecadados com a venda da areia. A inclusão do assunto na programação da comitiva, porém, não foi detalhada oficialmente.
