Municípios
Pariconha decreta emergência após perdas na agricultura e pecuária por estiagem
Falta de água teria causado perdas de até 99% na produção agrícola
A Prefeitura de Pariconha, no Sertão de Alagoas, decretou situação de emergência por 180 dias em razão da estiagem que atinge o município. A medida foi oficializada pelo Decreto nº 110, assinado pelo prefeito Antonio Telmo Noia, diante da redução dos reservatórios de água e dos impactos sobre a agricultura e a criação de animais.
De acordo com o documento, a situação foi constatada na terça-feira (27), às 12h, após um período prolongado sem chuvas suficientes. Barreiros, barragens de médio e grande porte e cisternas utilizadas pelas comunidades rurais apresentam redução significativa no volume de água. Fontes naturais e leitos de rios também estão praticamente secos.
A escassez tem obrigado agricultores familiares a comprar água potável transportada por caminhões-pipa, tanto para o consumo das famílias quanto para a manutenção dos animais. A prefeitura informa que realiza a distribuição por meio de veículos próprios, mas a estrutura disponível não consegue atender a todas as solicitações da população.
Perdas na agricultura
Os efeitos da estiagem atingem diretamente a produção rural. Conforme os dados apresentados no decreto, as perdas nas lavouras de subsistência, que incluem culturas como feijão e mandioca, são estimadas em 95%. No caso do milho, o prejuízo chega a 99%.
A pecuária também registra impactos expressivos, com perdas estimadas em 80%. A situação afeta criadores de caprinos, ovinos, aves, bovinos e equinos, que enfrentam dificuldades para garantir água e alimentação aos animais.
Sem pastagem e recursos hídricos suficientes, produtores têm recorrido à compra de ração para tentar preservar os rebanhos. O cenário também compromete a atividade econômica das famílias rurais, com redução das vendas, falta de matéria-prima e diminuição do número de clientes.
Medidas
A declaração de emergência leva em consideração a manifestação da Coordenação Municipal de Defesa Civil (COMDEC), que confirmou a ocorrência do desastre provocado pela estiagem.
Com a medida, a Defesa Civil municipal poderá ser mobilizada para coordenar ações de enfrentamento aos efeitos da seca. O decreto também prevê a possibilidade de dispensa de licitação para contratações de serviços e aquisição de materiais necessários às ações emergenciais, respeitando os limites estabelecidos no documento.
A situação de emergência terá validade de 180 dias, período em que a administração municipal poderá adotar medidas para reduzir os impactos da falta de água sobre as comunidades e as atividades produtivas de Pariconha.
