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Revitalizados, Alfarrábios voltam a ser atração no Centro de Maceió
O Centro de Maceió guarda um tesouro que ajuda a preservar a história. São livros raros, discos de vinil e revistas antigas reunidos nos tradicionais alfarrábios instalados no conhecido Paredão da Assembleia, que atravessam gerações e preservam a memória cultural, a arte e o legado de quem por décadas vive do ofício de livreiro.
Os sebos da Rua Barão de Atalaia, como são conhecidos popularmente os espaços, passaram por uma ampla reforma e, de cara nova, foram entregues pelo prefeito Rodrigo Cunha aos maceioenses. Hoje, quem vive do ofício de vender relíquias literárias, vê ressurgir o movimento, as vendas e a esperança de dias melhores.
Rendrikson Conceição trabalha no local há mais de duas décadas e conta que a reforma do espaço já começa a atrair consumidores que haviam se afastado do lugar pelas condições em que se encontrava e novos compradores.
“A reforma impulsionou a presença de público. São alagoanos e também turistas de todo o Brasil, que vêm muito aqui quando desembarcam dos navios, no Porto. Muita gente chega para se fotografar diante do paredão. É público que compra algum livro ou descobre que a gente vende também pela internet”, diz o vendedor.
Nos alfarrábios, o visitante encontra obras de diferentes épocas e autores, com destaque para clássicos da literatura alagoana. “Aqui, temos de tudo. São centenas de livros escritos por autores alagoanos. São clássicos que ajudam a contar a nossa história”, afirmou Rendrikson, exibindo o exemplar de O Boi, a Bota e Batina, de Clerisvaldo Chagas, sobre Santana do Ipanema.
Identidade e acessibilidade
A requalificação do espaço pela Prefeitura preservou não apenas sua identidade, mas garantiu mais conforto, acessibilidade e melhores condições de trabalho para os vendedores responsáveis pelos 18 quiosques, todos padronizados e organizados.
“O espaço ficou mais interessante de ser visitado. Gostei da organização e também do jogo de palavras no paredão ao lado”, comentou o estudante Gabriel da Silva, que saiu do município de Coruripe para passear em Maceió e garimpar CDs nos alfarrábios do centro.
Estudante de Sistemas de Informação do Ifal (Instituto Federal de Alagoas), Gabriel é frequentador assíduo dos alfarrábios do centro da capital desde a infância. “Vinha com meus pais. Hoje, venho só e sempre acho novidades”, afirmou, mostrando um CD que levaria para casa.
Quando inaugurou o espaço, o prefeito Rodrigo Cunha disse que, “de um jeito muito próprio”, os alfarrábios contam a história de Maceió. De fato, visitá-los é “mergulhar” num passado riquíssimo e muito bem preservado em livros, revistas, CDs e vinis.
Clássicos alagoanos
Gabriela Honorato tomou gosto pela leitura por causa dos alfarrábios. “Leio de tudo. Já li muito sobre Alagoas. Temos muitas opções aqui. São mais de 20 mil itens cadastrados”, destacou, mostrando exemplares em um dos quiosques diante do paredão.
Com a revitalização e a chegada do futuro Centro Administrativo da Prefeitura, a expectativa é de que o fluxo de visitantes aumente ainda mais, fortalecendo as vendas e consolidando os alfarrábios como um dos principais espaços de cultura e memória do Centro de Maceió.
