Internacional

Menina de 8 anos morre após infecção por ameba rara nos EUA

Lillian Smart, moradora de Ruston, no norte do estado, morreu no hospital durante o fim de semana, pouco depois de completar oito anos

Por Redação 24/08/2026 12h12
Menina de 8 anos morre após infecção por ameba rara nos EUA
Ameba rara conhecida como "comedora de cérebros" - Foto: Reprodução


Uma menina de oito anos veio a óbito após ser infectada pela ameba Naegleria fowleri, conhecida popularmente como “comedora de cérebros”. Segundo familiares e autoridades de saúde, a criança teria contraído o organismo depois de nadar em um lago próximo à região onde morava, no estado da Louisiana, nos Estados Unidos.

Lillian Smart, moradora de Ruston, no norte do estado, morreu no hospital durante o fim de semana, pouco depois de completar oito anos. A informação foi divulgada pelos pais da menina em uma publicação nas redes sociais.

“Na noite passada, Lillian saiu de nossos braços para os braços de Jesus”, escreveu a família no domingo (23). Segundo os pais, as lesões provocadas no cérebro eram graves demais para que a criança se recuperasse.

Antes da morte, a família havia informado que Lillian apresentava um quadro de intenso inchaço cerebral causado pelo parasita. A menina estava internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde a semana anterior.

De acordo com o Departamento de Saúde da Louisiana, um morador do estado provavelmente foi infectado pela Naegleria fowleri após nadar no Lago Claiborne, situado aproximadamente 48 quilômetros a noroeste de Ruston. Embora as autoridades não tenham confirmado oficialmente a identidade do paciente, familiares e amigos disseram a veículos de imprensa locais que se tratava de Lillian.

A ameba é encontrada principalmente em águas doces e quentes. A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz e chega ao cérebro. Segundo as autoridades de saúde, o organismo não provoca infecção quando a água é ingerida e também não é transmitido entre pessoas.

Apesar de extremamente incomum, a infecção costuma apresentar alta taxa de mortalidade. Dados do Departamento de Saúde da Louisiana apontam que apenas 180 casos foram confirmados nos Estados Unidos entre 1937 e 2025. No estado da Louisiana, foram registrados três casos no mesmo período.

Os primeiros sinais da infecção podem incluir dor de cabeça, febre, náuseas e vômitos, conforme informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Com a evolução do quadro, podem surgir rigidez no pescoço, confusão, alucinações e perda de equilíbrio. A doença pode avançar rapidamente, o que dificulta a identificação e o tratamento.

Segundo a mãe de Lillian, a menina havia sido internada inicialmente com febre, que posteriormente evoluiu para visão dupla.

Pesquisas recentes também apontam que o aumento das temperaturas da água provocado pelas mudanças climáticas pode contribuir para a expansão das áreas onde a ameba consegue sobreviver. A maior parte dos casos historicamente foi registrada nos estados do Sul e do Centro dos Estados Unidos, regiões de clima mais quente.

Durante a internação da menina, empresas de Ruston se mobilizaram para arrecadar recursos em uma ação relacionada ao aniversário de Lillian. Parte do dinheiro seria destinada à família, segundo informações divulgadas pela KNOE, emissora afiliada à CNN.

Moradores da cidade também lamentaram a morte da criança e destacaram sua personalidade alegre. Um comerciante ouvido pela emissora afirmou que Lillian era conhecida por estar sempre sorrindo.

Em uma publicação antes da morte da filha, os pais agradeceram o apoio recebido e afirmaram que todos fizeram o possível para tentar mantê-la viva.

Outros casos envolvendo a Naegleria fowleri também foram registrados nos Estados Unidos. Em 2023, um morador da Geórgia morreu após contrair a infecção. No ano anterior, uma criança morreu em Nebraska, no primeiro caso fatal associado à ameba registrado no estado. Nas duas situações, as autoridades apontaram que os pacientes haviam sido infectados após contato com água doce.