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Caramujos africanos se multiplicam pelo Litoral Norte de AL e preocupam moradores

Espécie invasora aparece em quintais, praias e manguezais depois das chuvas, e pode transmitir doenças graves como meningite eosinofílica se não for manuseada com cuidado

Por Redação* 13/07/2026 10h10
Caramujos africanos se multiplicam pelo Litoral Norte de AL e preocupam moradores
O caramujo (ou caracol) africano é uma espécie invasora abundante em Alagoas - Foto: Reprodução

Moradores de vários municípios do Litoral Norte de Alagoas estão relatando um aumento visível na presença do caramujo-africano, o Achatina fulica. Essa espécie exótica invasora, uma das principais pragas urbanas do país, tem aparecido em quintais, muros, calçadas, terrenos baldios, áreas de vegetação, manguezais e até nas praias, numa faixa que vai de Ipioca, em Maceió, até Maragogi.

Em cidades como Paripueira, os moluscos já viraram presença constante nas ruas e na orla. Já em São Miguel dos Milagres, moradores dizem conviver com a infestação praticamente todo dia, e cobram alguma ação pra conter o problema.

Vale entender como esse caramujo chegou até aqui. Ele foi introduzido no Brasil ainda na década de 1980, com fins comerciais, mas acabou se espalhando por praticamente todo o território nacional. Como não tem predadores naturais capazes de controlar sua população por aqui, o molusco se reproduz num ritmo bem acelerado e virou um problema tanto ambiental quanto de saúde pública.

Segundo o biólogo Carlos Fernando Rocha, responsável técnico pelo Laboratório de Entomologia da Unidade de Vigilância de Zoonoses de Maceió, o animal se adapta bem a praticamente qualquer terreno que tenha vegetação e umidade. "O caramujo-africano está presente em praticamente todos os ambientes com vegetação. Por isso, é importante que a população adote medidas de prevenção e evite o contato direto com o molusco", orienta.

Os riscos pra saúde


Além do impacto ambiental, o caramujo-africano pode servir de hospedeiro pra parasitas que causam doenças em humanos e também em animais domésticos, como cães e gatos. Entre as enfermidades associadas ao molusco estão a meningite eosinofílica e a angiostrongilíase abdominal, causadas por vermes do gênero Angiostrongylus.

A transmissão pode acontecer de algumas formas: contato com alimentos contaminados pelo muco do animal, ingestão de frutas e verduras mal higienizadas, ou até contato direto do muco com algum ferimento na pele.

Por que a reprodução é tão rápida


A explicação pra proliferação acelerada está na própria biologia do animal. Como são hermafroditas, cada caramujo pode colocar até 400 ovos numa única postura, e ainda faz várias posturas ao longo do ano. No período chuvoso, a umidade favorece a saída desses animais do solo e dos esconderijos pra se alimentar e se reproduzir, o que explica o aumento das infestações justamente nessa época.

Como eliminar corretamente


Segundo os especialistas, a coleta manual é uma forma eficaz de reduzir a população, desde que feita com alguns cuidados. O ideal é usar luvas pra evitar contato direto com o muco do animal. Depois de coletados, os caramujos devem ser colocados num recipiente com uma solução de água e água sanitária, na proporção de três partes de água pra uma de água sanitária, ficando imersos por cerca de 24 horas.

Passado esse tempo, a parte orgânica do animal se decompõe. A solução deve ser descartada em solo arenoso, e as conchas podem ir pra sacos plásticos, seguindo pro lixo comum.

Um alerta importante: o uso de sal pra eliminar os caramujos não é recomendado, já que esse método não é considerado eficaz pra controlar a infestação.

O que fazer pra prevenir


A Unidade de Vigilância de Zoonoses recomenda algumas medidas simples, mas importantes, pra reduzir a presença desses moluscos nas áreas urbanas:

Manter quintais, jardins e terrenos limpos e capinados

Remover entulhos, restos de construção, pedras, galhos, folhas e outros materiais que sirvam de abrigo

Não descartar os animais vivos em terrenos baldios, vias públicas ou diretamente no lixo, pra evitar espalhar ainda mais a espécie

Não esmagar os caramujos no local, já que a decomposição atrai moscas, baratas e roedores, além de causar mau cheiro

Segundo os especialistas, a participação de toda a população é essencial nesse processo, já que eliminar completamente a espécie é considerado praticamente impossível, dada sua ampla distribuição e altíssima capacidade reprodutiva.

Com Tribuna Hoje.