Municípios

Verba da educação em AL teria bancado tratores e vaquejada

Dados apontam suposto uso irregular de recursos do Fundeb em despesas sem ligação com a educação pública em municípios do interior

Por Esther Barros 02/06/2026 05h05
Verba da educação em AL teria bancado tratores e vaquejada
. - Foto: Reprodução

Duas prefeituras do interior de Alagoas passaram a ser alvo de questionamentos após denúncias envolvendo o uso de recursos do Fundeb para despesas sem relação direta com a educação pública. As informações foram reveladas em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo e repercutiram nesta segunda-feira (1º). 

Segundo o levantamento, verbas destinadas ao financiamento da educação básica teriam sido utilizadas para custear itens como peças de tratores, materiais agropecuários e estruturas voltadas a uma arena de vaquejada privada em municípios administrados por integrantes da família Higino, no Agreste alagoano. 

As denúncias envolvem as prefeituras de Campo Grande e Olho d’Água Grande, comandadas atualmente por Teo Higino e Suzy Higino. De acordo com a publicação, documentos, notas fiscais e extratos analisados apontam movimentações milionárias com recursos vinculados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. 

A reportagem afirma ainda que parte dos recursos teria sido direcionada para melhorias em uma arena de vaquejada pertencente à família, enquanto escolas municipais enfrentariam problemas estruturais, falta de manutenção e dificuldades no funcionamento das unidades de ensino. 

Entre os itens mencionados estão compras de vigas metálicas, telhas, herbicidas, peças agrícolas e materiais utilizados em estruturas rurais. A publicação também cita gastos relacionados à manutenção de tratores e veículos, classificados oficialmente como despesas ligadas ao transporte escolar. 

Ainda conforme a denúncia, os valores identificados chegam a aproximadamente R$ 6 milhões ao longo dos últimos cinco anos. A família citada na investigação não teria respondido aos questionamentos feitos pela reportagem até a publicação do material. 

O caso ampliou a repercussão política no estado e deve aumentar a pressão por apurações dos órgãos de controle sobre a aplicação dos recursos federais destinados à educação pública em Alagoas.