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Em Rio Largo, voçoroca cresce sete vezes em dez anos e ameaça imóveis

Erosão já atinge 7 mil m² e comerciantes relatam queda de 80% no faturamento; Prefeitura nega risco iminente

Por Redação 28/04/2026 13h01 - Atualizado em 28/04/2026 14h02
Em Rio Largo, voçoroca cresce sete vezes em dez anos e ameaça imóveis
Voçoroca avança há mais de 10 anos e assusta moradores em Rio Largo - Foto: Cimadec/ Defesa Civil Maceió

O bairro Mata do Rolo, em Rio Largo, enfrenta o avanço acelerado de uma voçoroca que, em uma década, expandiu sua área de 990 m² para mais de 7 mil m². O fenômeno, originado pelo desmatamento e agravado pelo escoamento de águas pluviais e esgoto, agora ameaça residências e estabelecimentos comerciais. Com o início da quadra chuvosa em Alagoas, moradores relatam pânico e cobram a conclusão de obras de drenagem que se encontram paralisadas.

A situação técnica é crítica: a erosão profunda compromete a estabilidade do solo e já provocou a interdição da via principal da região. Segundo apuração do Jornal da Francês, o bloqueio da rua causou um impacto econômico severo, com comerciantes locais registrando perda de até 80% no faturamento. Além do prejuízo financeiro, a população enfrenta dificuldades com o transporte público e o aumento da insegurança em desvios improvisados e mal iluminados.

Moradores da área descrevem um cenário de abandono. Relatos colhidos pela reportagem indicam que famílias monitoram o nível da água durante a madrugada e que alguns residentes já desocuparam imóveis por conta própria após sentirem tremores e presenciarem desmoronamentos de encostas. "É esse buraco tomar conta e essas casas irem abaixo", desabafou Dona Maria do Ó, moradora vizinha à erosão.

Posicionamento da Gestão

Em nota, a Prefeitura de Rio Largo afirmou que o acompanhamento da área é diário e que medidas técnicas estão sendo executadas conforme relatório do solo. A gestão municipal sustenta que o sistema de drenagem está sendo restabelecido e que há planos para a recomposição da vegetação e dos taludes.

Apesar do temor dos moradores, o Executivo municipal declarou que "não há perigo iminente no momento" e que não foi identificada a necessidade de remoção das famílias. A Defesa Civil Municipal segue monitorando o local e a prefeitura prometeu novas providências caso ocorram alterações no cenário geológico da Mata do Rolo.