Internacional
Presidente do Paraguai apresenta renúncia após crise bancária
Vice Pedro Alliana é o próximo na linha de sucessão
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise provocada pelo colapso do banco digital Ueno. A decisão foi anunciada em vídeo publicado nas redes sociais, no mesmo dia em que o Congresso discutia a abertura de um processo de impeachment contra o chefe de Estado.
A saída ainda precisa ser aceita pelo Congresso Nacional, conforme prevê a Constituição paraguaia. Caso a renúncia seja confirmada, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país e concluir o atual mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.
Na gravação, Peña classificou o momento como um dos mais difíceis de sua vida e justificou a decisão pela necessidade de preservar a estabilidade política e as instituições democráticas do país.
"Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", afirmou na publicação.
A renúncia ocorreu após o avanço das articulações pelo impeachment. Parlamentares da oposição apresentaram uma acusação contra Peña, apontando possíveis conflitos de interesse e questionamentos relacionados à crise bancária.
O caso ganhou força após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que enfrentou problemas nos índices de solvência e teve suas atividades interrompidas. A situação deixou milhões de clientes sem acesso às contas e aos recursos depositados.
Peña é questionado por sua antiga ligação com o banco: ele foi acionista do Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira, até março de 2025. A oposição acusa o presidente de possível conflito de interesses, além de apontar suspeitas envolvendo recursos previdenciários e a atuação de órgãos reguladores.
As acusações fazem parte das críticas políticas à condução da crise e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal do presidente.
O episódio também provocou protestos no país e a renúncia do então presidente do Banco Central. O Ministério Público paraguaio abriu investigação sobre possíveis irregularidades na instituição financeira, e oito dirigentes foram detidos.
Pela Constituição do Paraguai, cabe ao Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente. Se o pedido for aprovado, Pedro Alliana, atual vice-presidente, deverá assumir a Presidência para completar o período de governo.
A sucessão está prevista no artigo 234 da Constituição paraguaia, que estabelece a posse do vice-presidente em caso de vacância definitiva do cargo presidencial.
