Internacional

Ex-noiva de Trump Jr. deixa cargo de embaixadora após escândalo

Casa Branca solicitou a saída da diplomata após reportagens sobre supostas irregularidades

Por Redação 13/10/2026 17h05
Ex-noiva de Trump Jr. deixa cargo de embaixadora após escândalo
Kimberly Guilfoyle foi embaixadora dos Estados Unidos na Grécia - Foto: Mark Schiefelbein/Pool/AFP/Getty Images

A Casa Branca pediu que Kimberly Guilfoyle renunciasse ao cargo de embaixadora dos Estados Unidos na Grécia, após uma série de reportagens sobre supostas irregularidades envolvendo a diplomata. O anúncio foi feito nesta terça-feira (13), pela secretária de imprensa Katie Zacharia, e ocorreu após denúncias de que Guilfoyle teria solicitado US$ 100 mil a um doador político em troca de acesso a integrantes do governo americano. Ela nega as acusações.

A saída de Kimberly Guilfoyle marca uma mudança na trajetória de uma figura próxima ao presidente Donald Trump e ligada ao movimento político MAGA, sigla de Make America Great Again. A diplomata ficou noiva por quatro anos de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, antes de ser indicada para representar os Estados Unidos na Grécia.

Em sua primeira coletiva de imprensa, nesta terça-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, confirmou que o governo havia solicitado a renúncia da embaixadora.

“Pedimos à embaixadora Guilfoyle que renuncie”, afirmou Zacharia. Em seguida, acrescentou: “Ela foi uma excelente colaboradora para a equipe e desejamos sorte a ela.”

Horas depois, a Casa Branca recebeu a renúncia formal de Guilfoyle, segundo um funcionário do governo ouvido pela CNN.

Questionado anteriormente por jornalistas sobre a possibilidade de afastamento, Trump demonstrou insatisfação com as denúncias.

“Não gostei do que li”, declarou o presidente, acrescentando que não havia conversado pessoalmente com Guilfoyle.

Em uma publicação nas redes sociais, a diplomata reconheceu que sua permanência no cargo poderia estar chegando ao fim, mas contestou as acusações.

“Pretendo defender vigorosamente meu nome, minha reputação e minha integridade”, escreveu.

Denúncias envolvem pedido de US$ 100 mil


As reportagens que antecederam a saída de Guilfoyle apontam que ela teria solicitado dinheiro em troca de facilitar o acesso a integrantes do governo americano antes de sua confirmação no cargo. Também foram divulgadas alegações sobre o recebimento de presentes luxuosos durante sua atuação como embaixadora e a participação de um lobista ligado a uma empresa grega de construção em reuniões oficiais.

Os advogados da diplomata negaram as acusações relacionadas ao pedido de dinheiro. Também classificaram como enganosas as reportagens sobre suas viagens e afirmaram que ela cumpriu as exigências federais referentes à declaração e ao recebimento de presentes.

Um dos principais episódios envolve Eric Deters, ex-doador de Trump. Ele afirmou que Guilfoyle lhe pediu, por mensagem de texto, uma transferência de US$ 100 mil para quitar uma fatura do cartão American Express nos dias anteriores à confirmação dela pelo Senado.

Segundo Deters, a diplomata teria prometido manter uma relação de apoio dentro do governo Trump caso ele realizasse o pagamento.

“Sem dúvida, foi uma troca de favores”, declarou Deters ao apresentador da CNN Jake Tapper, na semana anterior.

O empresário disse que não transferiu o dinheiro porque não dispunha de recursos líquidos suficientes naquele momento.

Os advogados de Guilfoyle, por outro lado, afirmaram que Deters tinha dívidas com ela por serviços de palestras e consultoria. Em nota enviada à CNN, classificaram as declarações do empresário como falsas.

“Quando a Sra. Guilfoyle se preparava para deixar a vida privada pelo serviço público, ela fez o que qualquer profissional faz e tentou quitar suas contas a receber pendentes. Pedir a um cliente que pague por um trabalho já realizado não é corrupção. É o oposto de corrupção”, escreveram.

Em sua publicação no X, Guilfoyle também negou as acusações.

“Dediquei minha vida profissional a lutar pela justiça, defender o que é certo e proteger os valores que tornam a América excepcional”, afirmou. “Não permitirei que falsas acusações definam minhas décadas de serviço público.”

Trump e Rubio demonstraram insatisfação


Antes do anúncio oficial, Guilfoyle teria procurado aliados dentro e nos arredores do governo para contestar as reportagens e buscar apoio. Segundo fontes ouvidas pela CNN, ela inicialmente afirmou a pessoas próximas que as informações divulgadas eram imprecisas.

De acordo com duas fontes citadas pela emissora, a diplomata chegou a dizer a aliados que não renunciaria e que havia recebido indicações de que não seria demitida.

Os esforços, porém, não impediram o avanço das críticas. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, teria demonstrado interesse em vê-la deixar o cargo, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

“Ela foi basicamente demitida em transmissão ao vivo na TV”, afirmou uma fonte ouvida pela CNN.

Na segunda-feira (12), Trump já havia sinalizado que considerava afastar a embaixadora.

“Estamos analisando isso — sim. Não estamos felizes”, disse o presidente a jornalistas ao deixar a Casa Branca.

Rubio havia elogiado a embaixadora


As denúncias vieram à tona enquanto Rubio estava em viagem à Grécia. Durante a passagem por Atenas, o secretário de Estado participou de eventos ao lado de Guilfoyle e chegou a elogiá-la publicamente.

Na ocasião, Rubio chamou a diplomata de “uma embaixadora forte” e rejeitou questionamentos sobre as suspeitas.

“Vocês ficam por aí achando que, só porque alguma fonte lhes disse algo e vocês noticiaram, isso é a verdade absoluta. Não é a verdade absoluta. Não é a verdade absoluta para mim. Não é assim que fazemos as coisas”, declarou antes de embarcar em seu avião para deixar o país, enquanto Guilfoyle o acompanhava.

Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, entretanto, Rubio teria demonstrado irritação em conversas privadas com a presença frequente da embaixadora nos eventos dos quais participava.

Além das acusações envolvendo o pedido de dinheiro, o Wall Street Journal já havia publicado informações sobre uma suposta atuação de Guilfoyle em favor de uma empresa grega de energia em negociações regionais do setor.

Parlamentares pedem investigação


As reportagens também provocaram reações no Congresso americano. O deputado Gregory Meeks, principal representante democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, pediu que Guilfoyle comparecesse ao colegiado para prestar esclarecimentos.

Meeks afirmou que “deve ser determinado se a embaixadora Guilfoyle solicitou fundos de qualquer outra fonte”.

Após o anúncio do pedido de renúncia, integrantes democratas do comitê também ressaltaram que a saída do cargo não encerra necessariamente a apuração.

“Renunciar não a isenta de responsabilidade”, afirmaram.

Em publicação no X, o comitê declarou: “Guilfoyle usou sua posição como autoridade do governo Trump para enriquecer, enquanto as famílias americanas lutam com o custo de vida. O Congresso deve conduzir uma fiscalização para entender como isso aconteceu e responsabilizar o governo.”

As declarações dos parlamentares representam acusações e cobranças por apuração, não uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade da diplomata.

Investigação pode continuar após a renúncia


O Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Estado investiga Guilfoyle em razão das denúncias de má conduta, segundo uma fonte familiarizada com o procedimento.

Questionado sobre o caso, um porta-voz do órgão afirmou: “Como uma questão de política, o Gabinete do Inspetor-Geral não confirma, nega ou comenta sobre assuntos investigativos.”

Ainda não está claro se a investigação continuará após a saída da embaixadora. Segundo uma fonte familiarizada com o funcionamento dos gabinetes de inspetores-gerais, o andamento pode depender de uma eventual investigação do Departamento de Justiça sobre as suspeitas.

Caso o Departamento de Justiça não abra um procedimento próprio, o inspetor-geral do Departamento de Estado poderá prosseguir com a apuração. As conclusões, entretanto, podem levar cerca de um ano para serem finalizadas.

Relação com a família Trump


Guilfoyle ficou noiva de Donald Trump Jr. por aproximadamente quatro anos. Após o fim do relacionamento, foi indicada para representar os Estados Unidos na Grécia e assumiu o posto em setembro de 2025, conforme as informações da reportagem original.

Ao comentar a relação entre os dois, Trump afirmou nesta terça-feira que Guilfoyle não fazia parte de sua família e que o relacionamento com seu filho havia terminado há bastante tempo.

A saída da diplomata ocorre enquanto as denúncias seguem sob contestação e as autoridades avaliam os próximos passos das investigações.