Internacional
Irã rejeita exigência dos EUA e mantém enriquecimento de urânio
Declaração ocorre durante negociações entre os dois países sobre o fim da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz
O Irã afirmou nesta quinta-feira (8) que não vai abandonar o enriquecimento de urânio nem entregar seu estoque do material, em meio à pressão dos Estados Unidos para que o país reduza significativamente sua capacidade de enriquecimento. A declaração foi feita por Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, segundo a mídia estatal.
Eslami classificou como “nada de novo” as novas ameaças americanas contra instalações nucleares iranianas e afirmou que o enriquecimento é uma parte inseparável do processo nuclear do país.
“O enriquecimento é parte integrante do processo nuclear, e não vamos abandoná-lo de forma alguma. Como se pode alegar ter uma indústria nuclear se não se tem o ponto de partida do processo? A indústria nuclear é a força motriz da ciência e da tecnologia”, declarou.
A posição foi apresentada enquanto Irã e Estados Unidos trocam propostas com o objetivo de encerrar a guerra e negociar a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte global de energia. Segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, Teerã poderia responder em poucos dias a uma eventual resposta americana à proposta apresentada pelo país.
Pela proposta iraniana, o Estreito de Ormuz poderia ser reaberto em sete dias caso determinadas condições fossem atendidas. A região é considerada estratégica para o comércio internacional de petróleo e outros produtos energéticos.
Pressão dos Estados Unidos
A declaração de Eslami ocorreu um dia depois de o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmar que o Irã precisa fazer uma redução significativa em sua capacidade de enriquecimento para que haja avanço nas negociações. Washington também pressiona pela redução ou eliminação do estoque de urânio altamente enriquecido do país.
Israel, os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam há anos o Irã de manter um programa nuclear que poderia permitir a produção de armas atômicas. Teerã, por sua vez, nega buscar armamentos nucleares e defende seu direito de manter atividades nucleares para fins civis.
Antes dos ataques contra instalações nucleares iranianas, o país enriquecia urânio a até 60%, nível muito acima do necessário para a maioria dos usos civis e abaixo do patamar de cerca de 90% associado ao material de grau bélico. Segundo a Reuters, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não encontrou evidências de um programa ativo de produção de armas nucleares, embora o nível de enriquecimento e o estoque iraniano tenham gerado preocupações internacionais.
Trump afirma que negociações avançam
Também nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington mantém discussões produtivas com o Irã. Segundo ele, os EUA não realizarão novos ataques contra o país antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro.
A declaração ocorre enquanto os dois países tentam avançar diplomaticamente em meio à guerra e às tensões no Estreito de Ormuz.
