Internacional

Exame de DNA leva à libertação de homem preso por 40 anos nos EUA

Carter deixou a prisão acompanhado pelo filho, Tyler, e deverá usar uma tornozeleira eletrônica com GPS enquanto aguarda um novo julgamento

Por Redação 30/09/2026 10h10
Exame de DNA leva à libertação de homem preso por 40 anos nos EUA
Exame de DNA leva à libertação de homem preso por 40 anos nos EUA - Foto: Reprodução


Um homem de 71 anos foi libertado nesta segunda-feira (28), em Utah, nos Estados Unidos, após um exame de DNA indicar que ele não corresponde ao material genético encontrado na cena do crime pelo qual foi condenado. Douglas Stewart Carter estava preso desde 1985, acusado de matar Eva Olesen, tia de um chefe de polícia.

Carter deixou a prisão acompanhado pelo filho, Tyler, e deverá usar uma tornozeleira eletrônica com GPS enquanto aguarda um novo julgamento. A análise de DNA, recebida pela Justiça em 22 de setembro, descartou Carter como possível fonte do sangue encontrado em uma maçaneta e do material genético identificado no cabo da faca usada para atacar Olesen, que também foi baleada.

Ao sair da prisão, Carter estava vestido com uma camisa branca e calça de moletom cinza. Ele levou seus pertences em um carrinho empurrado pelo filho. O homem não falou com os jornalistas que estavam no local e deixou a unidade em um veículo acompanhado do filho e do advogado.

A Justiça determinou que Carter não tenha contato com familiares de Olesen. A decisão foi criticada pela família da vítima.

Derek Pullan, responsável pelo caso desde a abertura de um novo processo na Suprema Corte estadual, afirmou que o resultado do exame de DNA enfraquece ainda mais a acusação contra Carter.

Segundo a defesa, nenhuma evidência física ligava o homem à cena do crime. Ainda assim, ele foi condenado com base em uma confissão e no depoimento de duas testemunhas que afirmaram ter ouvido Carter se vangloriar do assassinato. As duas testemunhas, posteriormente, voltaram atrás nos relatos.

Quando foram localizadas no México, em 2011, elas disseram que haviam sido orientadas a mentir no tribunal e que receberam dinheiro e presentes de policiais. Também afirmaram que foram ameaçadas de deportação, assim como o filho delas, caso não acusassem Carter.

Carter mantém a afirmação de que é inocente. Na época da prisão, ele assinou uma confissão, mas posteriormente declarou que o documento foi obtido sob coação.

O novo julgamento é resultado de anos de esforços da defesa para questionar a atuação dos investigadores no caso. Os advogados afirmam que testemunhas relataram ter visto um homem branco fugindo do local do crime e que um investigador deixou de apresentar evidências relacionadas a outros possíveis suspeitos, entre eles o marido de Olesen, que morreu em 2009.

Com o resultado do exame genético, a defesa agora tenta conseguir o arquivamento da acusação de homicídio qualificado que ainda existe contra Carter.