Internacional
Trump gera controvérsia ao sugerir venda de armas dos EUA para a China
O episódio, revelado pelo embaixador dos EUA na China, David Perdue, ocorreu após uma visita de Estado de Xi à Casa Branca
Uma pergunta do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao líder chinês Xi Jinping sobre o possível interesse da China em adquirir armas norte-americanas gerou surpresa e polêmica em Washington, segundo reportagem do South China Morning Post.
O episódio, revelado pelo embaixador dos EUA na China, David Perdue, ocorreu após uma visita de Estado de Xi à Casa Branca, mas não teve detalhes sobre a data ou resposta do presidente chinês. A sugestão de Trump contrasta com décadas de restrições militares impostas a Pequim e ocorre em meio ao impasse envolvendo um pacote de armas para Taiwan.
Pouco após a revelação, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA reforçou que a legislação norte-americana proíbe a venda de armamentos à China e que não há qualquer oferta ou plano nesse sentido.
O esclarecimento buscou conter a repercussão da fala, considerada incompatível com a política tradicional de contenção militar a Pequim e reforçando a imagem de imprevisibilidade de Trump no cenário internacional.
O caso ganha destaque porque os Estados Unidos veem a China como seu principal rival estratégico, restringindo exportações de tecnologia militar ao país há mais de 30 anos. Washington também investe em alianças no Indo-Pacífico, região considerada sensível por Pequim.
A controvérsia se intensifica diante do contexto de Taiwan. Enquanto os EUA mantêm o compromisso de fornecer armamentos à ilha para reforçar sua defesa, Trump mantém suspenso um pacote de cerca de US$ 14 bilhões (mais de R$ 72 bilhões) para Taipé, decisão que o próprio ex-presidente classificou como possível moeda de troca em negociações com a China.
Analistas ouvidos pela reportagem classificaram a revelação como inédita. Zack Cooper, ex-funcionário do Pentágono, afirmou nunca ter imaginado que um presidente norte-americano cogitasse vender armas à China, especialmente enquanto resiste a aprovar vendas para Taiwan. Já Ryan Hass, ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional, avaliou que a notícia tende a preocupar aliados asiáticos diante da pressão crescente de Pequim.
Representantes de Taiwan também demonstraram preocupação. Alexander Tah-ray Yui, principal representante de Taipé em Washington, ressaltou que a questão da ilha foi central na recente cúpula, mas sem avanços concretos em favor dos interesses taiwaneses.
Para alguns especialistas, não há indícios de que Trump tenha feito uma proposta formal. Denis Simon, do Quincy Institute, avaliou que a fala de Trump pode ter sido uma estratégia retórica para provocar discussões sobre as objeções chinesas à venda de armas para Taiwan e transformar o tema em elemento de barganha diplomática.
Mesmo assim, a declaração continua gerando questionamentos e alimentando o debate entre especialistas, que divergem entre enxergar a fala como estratégia transacional ou apenas mais uma provocação de Trump.
Por Sputnik Brasil
