Internacional

Pressão dos EUA sobre parcerias da Ford com empresas chinesas acende alerta

A Ford respondeu afirmando que controla totalmente sua fábrica de baterias em Michigan e utiliza apenas tecnologia licenciada da CATL

Por Sputnik Brasil 09/09/2026 17h05
Pressão dos EUA sobre parcerias da Ford com empresas chinesas acende alerta
Foto: © Folhapress / Eduardo Knapp

O governo dos Estados Unidos intensificou a pressão sobre a Ford, criticando suas parcerias com empresas chinesas como CATL, Geely e BYD, e levantando preocupações sobre dependência tecnológica e riscos à segurança nacional.

Em carta assinada pelo secretário de Transportes, Sean Duffy, Washington expressou "profunda preocupação" com os acordos, alegando que eles poderiam comprometer interesses estratégicos norte-americanos.

A Ford respondeu afirmando que controla totalmente sua fábrica de baterias em Michigan e utiliza apenas tecnologia licenciada da CATL. A montadora destacou ainda que, ao contrário de concorrentes que importam mais veículos, mantém investimentos industriais nos EUA e emprega mão de obra local.

Especialistas do setor, como Zhang Xiang, consultado pelo Global Times, afirmam que tratar todas as parcerias como ameaças à segurança nacional distorce a realidade de uma indústria automotiva globalizada. Segundo ele, fabricantes chineses conquistaram liderança tecnológica e de escala, enquanto a Ford enfrenta custos crescentes e forte concorrência internacional. Por isso, a cooperação com fornecedores competitivos é considerada uma estratégia pragmática para reduzir prazos de desenvolvimento e preservar a relevância industrial.

As parcerias da Ford com empresas chinesas abrangem diferentes regiões: uso da tecnologia de baterias de íons de lítio com fosfato de ferro-lítio (LFP) da CATL nos EUA, joint venture com a Geely na fábrica de Valência, na Espanha, e negociações com a BYD para fornecimento de baterias híbridas em mercados fora dos EUA. Esses acordos viabilizam acesso a soluções mais avançadas e econômicas, vistas como essenciais para acelerar a eletrificação.

A pressão política de Washington ocorre em um momento delicado para a Ford, que registrou queda de 50% no lucro trimestral e acumula prejuízos bilionários na divisão de veículos elétricos (VEs). A empresa busca cortar custos e lançar modelos mais competitivos, mas enfrenta desafios estruturais e tecnológicos.

O governo dos EUA, por sua vez, mantém tarifas de 100% sobre veículos elétricos chineses e impõe restrições futuras a softwares e hardwares ligados à China. Pequim rejeita essas medidas, classificando-as como protecionistas e prejudiciais à cooperação econômica.

Analistas alertam que limitar o acesso da Ford a tecnologias avançadas e cadeias de suprimentos eficientes pode enfraquecer a competitividade da montadora, impactando empregos, produção e a própria resiliência industrial dos Estados Unidos.

Por Sputinik Brasil