Internacional
Operação na Flórida recupera 163 crianças desaparecidas em cinco dias
As operações ocorreram separadamente na Flórida e em Ohio e envolveram casos de abuso, negligência, fugas, exploração e suspeitas de tráfico humano
Duas grandes operações realizadas nos Estados Unidos resultaram na localização de 242 crianças desaparecidas ou em situação de risco. Na Flórida, a Operation Statewide Shield recuperou 163 menores entre 17 e 21 de agosto, enquanto a Operation Meridian localizou outras 79 crianças em Ohio ao longo do mês. Os casos envolviam diferentes situações de vulnerabilidade, incluindo abuso, negligência, fugas de casa, exploração e suspeitas de tráfico humano.
Na Flórida, a Statewide Shield foi coordenada pelo Florida Department of Law Enforcement (FDLE), em parceria com o Gabinete do Procurador-Geral, forças policiais locais, órgãos estaduais e instituições voltadas à proteção de crianças e adolescentes.
A operação foi realizada durante cinco dias e é considerada, segundo as autoridades, a primeira iniciativa estadual de recuperação de crianças desaparecidas no estado e a maior ação desse tipo já realizada na Flórida. As equipes atuaram em sete regiões e também seguiram pistas para outros estados americanos, Porto Rico e 12 países.
Os menores localizados tinham entre 2 meses e 17 anos. Tampa Bay concentrou o maior número de recuperações, com 46 crianças, seguida por Miami, com 41, e Jacksonville, com 32. Também foram registradas 21 recuperações em Orlando, 12 em Fort Myers, oito em Pensacola e três na região de Tallahassee.
Fora da Flórida, as equipes trabalharam em Alabama, Califórnia, Ohio, Nova York, Carolina do Norte, Tennessee e Porto Rico. A operação também alcançou Brasil, Canadá, Colômbia, Dominica, Finlândia, Gana, Guatemala, Itália, Jamaica, México, Espanha e Taiwan.
As autoridades ressaltaram que os 163 casos não estavam necessariamente relacionados entre si ou a uma única rede criminosa. As ocorrências envolviam disputas de guarda, fugas de casa, problemas relacionados a famílias de acolhimento, abuso, negligência e suspeitas de exploração e tráfico de pessoas.
Após a localização, crianças que precisavam de atendimento foram encaminhadas com segurança para estruturas de acolhimento e recuperação. Ao todo, sete centros foram montados entre Pensacola e Miami, com participação de organizações especializadas. Os menores receberam, conforme a necessidade, atendimento médico, psicológico, assistência social e acompanhamento de profissionais de proteção infantil.
A operação também resultou em prisões relacionadas a alguns dos casos investigados. Entre as acusações estão atos libidinosos envolvendo menores, agressão sexual contra uma vítima de 12 a 16 anos, interferência na guarda de uma criança e resistência à prisão. Segundo as autoridades, novas prisões podem ocorrer com o avanço das investigações.
OUTRA OPERAÇÃO EM OHIO
Em Ohio, o Serviço de Delegados dos Estados Unidos (USMS) conduziu a Operation Meridian durante o mês de agosto. A ação terminou com 79 crianças desaparecidas ou em situação de risco localizadas, com idades entre 6 e 17 anos.
As buscas envolveram autoridades federais, estaduais e locais e chegaram a outros estados, incluindo Geórgia e Michigan. Entre as situações investigadas estavam suspeitas de tráfico sexual, abusos físicos e emocionais, negligência e fugas de casa.
Em um dos casos, duas irmãs, de 13 e 16 anos, foram localizadas em Columbus. Uma delas estava escondida em um espaço sob o piso de um quarto, dentro de um armário. A mãe das adolescentes foi presa por um mandado relacionado a uma violação de liberdade condicional. A outra jovem foi encontrada posteriormente em um restaurante.
Outra adolescente, de 16 anos, foi localizada em Toledo após desaparecer em 18 de agosto. Ela já havia sido identificada anteriormente como vítima de tráfico humano. Um homem que estaria com a jovem foi identificado pelas autoridades, que passaram a investigar possíveis crimes relacionados ao caso.
Depois dos resgates, as autoridades de Ohio também trabalharam com serviços de proteção à infância e à família para encaminhar as vítimas a atendimento médico, psicológico e social.
O delegado Pete Elliott afirmou que cada criança recuperada representa “uma vida retirada do perigo”. A operação contou ainda com dezenas de órgãos policiais e de investigação de Ohio, além do FBI, da HSI e do HUD-OIG.
