Internacional

Serviço Secreto dos EUA ignorou ameaças de drones antes de ataque a Trump

A constatação é de um relatório recente do Gabinete de Responsabilidade Governamental (GAO, na sigla em inglês), analisado por um correspondente da RIA Novosti

Por Sputnik Brasil com Redação 09/09/2026 05h05
Serviço Secreto dos EUA ignorou ameaças de drones antes de ataque a Trump
Foto: © AP Photo / Gene J. Puskar

O Serviço Secreto dos Estados Unidos falhou sistematicamente em atualizar suas diretrizes de segurança para lidar com ameaças de drones civis, mesmo após registrar múltiplas incursões aéreas entre 2015 e 2021. A constatação é de um relatório recente do Gabinete de Responsabilidade Governamental (GAO, na sigla em inglês), analisado por um correspondente da RIA Novosti.

Segundo o GAO, o atirador responsável pelo ataque durante um comício em Butler utilizou um drone para sobrevoar a multidão por cerca de 11 minutos, coletando informações que facilitaram seu posicionamento para efetuar disparos. O episódio resultou na morte de um espectador e deixou Donald Trump e outras duas pessoas feridas, evidenciando falhas operacionais críticas na proteção do ex-presidente.

Antes desse atentado, a agência já havia registrado três incidentes distintos envolvendo drones, incluindo um caso em dezembro de 2015, quando uma aeronave não tripulada se aproximou da comitiva do então presidente Barack Obama no Havaí, e outro em maio de 2016, quando um operador sobrevoou uma multidão em um comício do candidato Bernie Sanders na Califórnia.

Em janeiro de 2021, agentes também avistaram drones próximos à cerimônia de posse presidencial em Washington, que posteriormente foram identificados como aeronaves autorizadas do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

Apesar dessas situações, o Serviço Secreto não atualizou suas políticas para contemplar o uso de drones civis. Mesmo tendo definido responsabilidades internas para contramedidas após 2021, a agência não exigiu que agentes justificassem a ausência de providências em incidentes semelhantes.

A auditoria do Congresso revelou que, entre os anos fiscais de 2015 e 2025, o Serviço Secreto registrou 83 incidentes de segurança que interromperam operações de proteção, mas atualizou suas políticas em resposta a apenas 25 deles — aproximadamente 30%. Como não havia obrigação de justificar a manutenção do status quo nos demais casos, os avaliadores internos ficaram sem registros históricos para identificar riscos emergentes antes que fossem explorados.

A negligência com drones integra um padrão mais amplo de falhas organizacionais no Serviço Secreto. O relatório aponta que oito das 22 políticas de planejamento prévio não foram revisadas dentro do ciclo obrigatório de quatro anos, e algumas diretrizes para viagens ao exterior não passam por revisão desde julho de 2001.

O GAO também observou que a equipe de segurança avançada, responsável pelo comício em Butler, não consultou as políticas da agência, consideradas genéricas e sem detalhes claros sobre funções e responsabilidades.

A auditoria ainda destacou falhas na coordenação entre o Serviço Secreto e o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA, órgãos que dividem a proteção de dignitários e líderes estrangeiros em visita ao país.

O acordo vigente entre as duas agências não é atualizado desde 1991, apesar da exigência de revisões anuais. O documento não traz orientações sobre táticas contra drones, omite novas categorias de autoridades protegidas e ainda identifica erroneamente o Serviço Secreto como órgão do Departamento do Tesouro — uma ligação encerrada em 2003, quando a agência foi transferida para o Departamento de Segurança Interna.

Por Sputnik Brasil